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Questão FC551751

POR QUE TEMPO PARECE PASSAR MAIS DEPRESSA EM MOMENTOS BONS E ASSUSTADORES?

Sintaxe

IBAM · 2019

POR QUE TEMPO PARECE PASSAR MAIS DEPRESSA EM MOMENTOS BONS E ASSUSTADORES?

Nós, humanos, conseguimos calcular a passagem do tempo mentalmente com certa precisão. Conseguimos inferir qual foi a duração de uma visita a um parente e qual foi o tempo consumido até chegarmos a um determinado destino. Uma série de processos orgânicos habilita a existência de nosso relógio interno.

Entretanto, essa precisão se perde frente a certos contextos, prazerosos ou enfadonhos. Quem nunca experimentou os minutos que se vão aborrecidamente lentos em situações tediosas? Já em uma boa festa , "o tempo voa mais do que a canção".

Parece um paradoxo termos um sistema biológico acurado em estimar o tempo, mas que, quando pressionado por emoções, desregula-se. Será que nossas emoções enevoam nossos discernimentos, inclusive nossa percepção de tempo? A emoção, ao corromper a razão, deturpa nossa ordem mental e impede que diferenciemos a cadência da sucessão dos minutos? Nossas emoções inviabilizam a precisão

Seriamos simplistas demais se aceitássemos essa premissa . Primeiro, porque não existe razão completamente desvinculada de  de emoções. Segundo, as distorções de percepção de tempo moduladas pelas emoções não são um erro biológico, mas um processo adaptativo favorável para nossa sobrevivência.

Foi isso o que a psicóloga Sophie Fayolle demonstrou. Em um experimento, a cientista distribuiu choques elétricos controlados aos participantes enquanto avaliava como eles percebiam o tempo passar. Depois de terminar seus testes, Fayolle analisou como emoções, ou melhor, medo e dor, distorceram a percepção de tempo.

As pessoas, literalmente chocadas, superestimavam a duração do martírio elétrico e subestimavam o tempo decorrido ao longo dos testes. Portanto, os participantes tiveram seu relógio interno acelerado durante os choques, o que distorceu a concepção de tempo. Esse relógio destacou aquilo que emociona, ao valorizar excessivamente os instantes dos desconfortos elétricos.

Fayolle provou que emoções afetam nosso julgamento temporal, e isso deve nos motivar a agir o mais rapidamente quando estamos ameaçados.

Mas, afinal, o que faz a conjunção entre nossa percepção de tempo e nossas emoções? A resposta é a dopa mina, neurotransmissor que nos faz julgar o tempo e também nos dá a sensação do prazer.

O núcleo accumbens é uma estrutura cerebral que trabalha como um centro da motivação. Ele nos faz desejar as prazerosas bonificações da vida , como as obtidas em refeições e no sexo. Esse núcleo. quando embebido em dopamina, provoca a impressão de que o tempo flui mais rapidamente. Mas, ao ser privado desse neurotransmissor, provocará em nós a impressão de que segundos se estenderam preguiçosamente. O prazer é igualmente mediado pela liberação de dopamina. Portanto, esse neurotransmissor faz o tempo voar e temos prazer.

O desejo pelo medo nos expõe às altas velocidades, aos filmes de terror, aos saltos de paraquedas. O desejo pelo prazer que acelera o tempo. E provoca a nítida impressão de que a aventura durou pouco.

Luciano Magalhães Melo -jornal Folha de São Paulo, edição de 4110/2019.

Os excertos abaixo serão utilizados na resolução da questão.

I. "Nós, humanos, conseguimos calcular a passagem do tempo".

lI. "Nossas emoções enevoam nossos discernimentos".

IlI. "A cientista distribuiu choques elétricos".

IV. " Esse relógio destacou aquilo que emociona" .

Assinale a alternativa em que a substituição dos termos sublinhados pelo pronome oblíquo correspondente não se deu adequadamente e em conformidade com a norma culta.

  1. Nós, humanos, conseguimos lhe calcular.
  2. Nossas emoções os enevoam.
  3. A cientista distribuiu-os.
  4. Esse relógio destacou-o.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa A está errada porque substitui o termo sublinhado por lhe, pronome que indica objeto indireto (equivalente a "a ele/a ela" ou complemento iniciado por preposição).

O verbo calcular exige objeto direto, sem preposição, portanto o substantivo "a passagem do tempo" não admite lhe como substituto.

A forma correta de substituição, em colocação enclítica, é unir o pronome oblíquo átono correspondente ao objeto direto ao verbo: conseguimos calculá-la (calculá- + la = calculá-la), onde la retoma "a passagem do tempo".

Em resumo: lhe marca objeto indireto e está inadequado; o pronome apropriado para esse complemento direto é la, exigindo a forma enclítica correta.

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