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Questão FC551816

Texto 1 Apresentação — Contos Indígenas Brasileiros Daniel Munduruku As sociedades indígenas são movidas pela poesia dos mitos — palavras que encantam e dão direção, provocam e eco

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

IBAM · 2023

Texto 1

Apresentação — Contos Indígenas Brasileiros

Daniel Munduruku

As sociedades indígenas são movidas pela poesia dos mitos — palavras que encantam e dão direção, provocam e ecoam os acontecimentos dos primeiros tempos, quando, somente ela, a Palavra, existia.

E foi por causa dela, de sua ação sobre o que não existia, que tudo passou a existir. Foi como um encantamento, um vento que passa ou o sopro sonoro de uma flauta, e... pronto... tudo se fez.

Assim é a Palavra, que flui em todas as direções e sentidos e que influenciou e influencia todas as sociedades ao longo de sua história. Ela cria, enfeitiça, embriaga, gera monstros, faz heróis, remete-nos para nossa própria memória ancestral e dá sentido ao nosso estar no mundo.

Mesmo vivendo numa época em que a tecnologia impera e coloca a Palavra — aqui como sinônimo de Verdade —- em segundo plano, percebemos que há esperança, pois ela vivifica a poesia dos mistérios que nos emocionam e nos fazem buscar, dentro de nós mesmos, a certeza de que vale a pena colorir o mundo. (...)

(Adaptado de MUNDURUKU, Daniel. Contos indígenas brasileiros. 2. ed. São Paulo, Global, 2005)

 

No trecho “Foi como um encantamento, um vento que passa ou o sopro sonoro de uma flauta, e... pronto... tudo se fez.”, as reticências são utilizadas para:

  1. intensificar o efeito estético da ideia de transformação sugerida pelo vocábulo “pronto”
  2. sugerir o prolongamento da ideia de adversidade representada pela conjunção “e”
  3. marcar uma incerteza na argumentação desenvolvida pelo autor
  4. indicar supressão de palavras existentes no texto original
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Gabarito

A

Comentário do professor

As reticências em "e... pronto... tudo se fez" atuam como recurso de pausa e suspense que intensifica o efeito da palavra pronto.

Ao interromper o fluxo, elas simulam um silêncio ritual, valorizando o instante em que a ação culmina: a transformação acontece de modo súbito e quase mágico.

Esse uso tem função claramente estética: reforça o tom poético e mitológico do trecho, como se a própria Palavra convocasse a criação.

Assim, as reticências não indicam hesitação ou omissão, mas realçam a ideia de acontecimento imediato e definitivo sugerida por pronto, tornando a imagem mais vívida e impactante.

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