Questão FC551835
TEXTO 1: "In memoriam" - Um rio que passou (Mariana Filgueiras) O rio Capibaribe inspirou muitas poesias de João Cabral de Melo Neto; o rio Amazonas margeia até hoje os romances de
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
IBAM · 2016
TEXTO 1: "In memoriam" - Um rio que passou
(Mariana Filgueiras)
O rio Capibaribe inspirou muitas poesias de João Cabral de Melo Neto; o rio Amazonas margeia até hoje os romances de Milton Hatoum; o rio São Francisco inunda o grande sertão de Guimarães Rosa; e não seria exagero dizer que até o rio Carioca - e todo um Rio de Janeiro, vá lá - passa sob as palavras de Machado de Assis.
O rio Doce também. O chamado "Nilo brasileiro" fez parte do nosso imaginário cultural na poesia, na prosa e em canções populares.
Braço forte da maior hídrica do Sudeste, com 853 quilômetros de extensão que banham 29 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, o rio Doce foi completamente destruído pelo rompimento das barragens da mineradora Samarco, em Mariana. Com o desastre, os rejeitos químicos da empresa inundaram seu leito, que já é considerado "morto" por autoridades ambientais do Ministério Público do Espírito Santo e do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Minas Gerais.
O rio Doce, tal como era, só sobrevive nas poesias, crônicas, romances e canções populares que beberam na sua fonte. Coletados pelo GLOBO como uma homenagem póstuma ao rio, os trechos têm o rio Doce como referência ou cenário - em tons bucólicos, picarescos ou críticos.
Adaptado de O globo, domingo, 15-11-2015
No primeiro parágrafo, o uso do travessão justifica-se por:
- indicar uma enumeração
- delimitar um comentário
- introduzir uma citação
- destacar uma palavra
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Gabarito
B
Comentário do professor
No segmento em que aparece e todo um Rio de Janeiro, vá lá, o uso dos travessões tem a função de delimitar um comentário do autor inserido no decorrer da oração.
Esse comentário é uma observação acessória, com valor explicativo e avaliativo, que interrompe a sequência informativa sem alterar sua estrutura sintática principal. A expressão introduz uma digressão breve, de tom coloquial, que qualifica o que foi dito antes.
Gramaticalmente, os travessões isolam esse segmento para indicar sua independência prosódica e semântica; poderiam ser substituídos por parênteses ou vírgulas, mantendo a função de comentário.
Assim, a marcação sinaliza claramente que se trata de uma intervenção do enunciador, não de um elemento integrante das enumerações ou da descrição principal.
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