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Questão FC551984

Ao transcrevermos os excertos apresentados para a voz passiva - ou seja, os termos sublinhados passam a ser o sujeito da oração - a forma verbal deverá ser ajustada. Tal ajuste deu

Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)

IBAM · 2019

POR QUE TEMPO PARECE PASSAR MAIS DEPRESSA EM MOMENTOS BONS E ASSUSTADORES?

Nós, humanos, conseguimos calcular a passagem do tempo mentalmente com certa precisão. Conseguimos inferir qual foi a duração de uma visita a um parente e qual foi o tempo consumido até chegarmos a um determinado destino. Uma série de processos orgânicos habilita a existência de nosso relógio interno.

Entretanto, essa precisão se perde frente a certos contextos, prazerosos ou enfadonhos. Quem nunca experimentou os minutos que se vão aborrecidamente lentos em situações tediosas? Já em uma boa festa , "o tempo voa mais do que a canção".

Parece um paradoxo termos um sistema biológico acurado em estimar o tempo, mas que, quando pressionado por emoções, desregula-se. Será que nossas emoções enevoam nossos discernimentos, inclusive nossa percepção de tempo? A emoção, ao corromper a razão, deturpa nossa ordem mental e impede que diferenciemos a cadência da sucessão dos minutos? Nossas emoções inviabilizam a precisão

Seriamos simplistas demais se aceitássemos essa premissa . Primeiro, porque não existe razão completamente desvinculada de  de emoções. Segundo, as distorções de percepção de tempo moduladas pelas emoções não são um erro biológico, mas um processo adaptativo favorável para nossa sobrevivência.

Foi isso o que a psicóloga Sophie Fayolle demonstrou. Em um experimento, a cientista distribuiu choques elétricos controlados aos participantes enquanto avaliava como eles percebiam o tempo passar. Depois de terminar seus testes, Fayolle analisou como emoções, ou melhor, medo e dor, distorceram a percepção de tempo.

As pessoas, literalmente chocadas, superestimavam a duração do martírio elétrico e subestimavam o tempo decorrido ao longo dos testes. Portanto, os participantes tiveram seu relógio interno acelerado durante os choques, o que distorceu a concepção de tempo. Esse relógio destacou aquilo que emociona, ao valorizar excessivamente os instantes dos desconfortos elétricos.

Fayolle provou que emoções afetam nosso julgamento temporal, e isso deve nos motivar a agir o mais rapidamente quando estamos ameaçados.

Mas, afinal, o que faz a conjunção entre nossa percepção de tempo e nossas emoções? A resposta é a dopa mina, neurotransmissor que nos faz julgar o tempo e também nos dá a sensação do prazer.

O núcleo accumbens é uma estrutura cerebral que trabalha como um centro da motivação. Ele nos faz desejar as prazerosas bonificações da vida , como as obtidas em refeições e no sexo. Esse núcleo. quando embebido em dopamina, provoca a impressão de que o tempo flui mais rapidamente. Mas, ao ser privado desse neurotransmissor, provocará em nós a impressão de que segundos se estenderam preguiçosamente. O prazer é igualmente mediado pela liberação de dopamina. Portanto, esse neurotransmissor faz o tempo voar e temos prazer.

O desejo pelo medo nos expõe às altas velocidades, aos filmes de terror, aos saltos de paraquedas. O desejo pelo prazer que acelera o tempo. E provoca a nítida impressão de que a aventura durou pouco.

Luciano Magalhães Melo -jornal Folha de São Paulo, edição de 4110/2019.

Os excertos abaixo serão utilizados na resolução da questão.

I. "Nós, humanos, conseguimos calcular a passagem do tempo".

lI. "Nossas emoções enevoam nossos discernimentos".

IlI. "A cientista distribuiu choques elétricos".

IV. " Esse relógio destacou aquilo que emociona" .

Ao transcrevermos os excertos apresentados para a voz passiva - ou seja, os termos sublinhados passam a ser o sujeito da oração - a forma verbal deverá ser ajustada. Tal ajuste deu-se corretamente e sem perda do sentido original apenas em qual alternativa?

  1. A passagem do tempo consegue calcular, por nós humanos.
  2. Nossos discernimentos enevoam nossas emoções.
  3. Choques elétricos foram distribuídos pela cientista.
  4. Aquilo que emociona destacou o relógio.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A cientista distribuiu choques elétricos. Esta é a forma ativa original; o verbo distribuiu está no pretérito perfeito do indicativo.

Ao passar para a voz passiva analítica, o objeto direto passa a ser sujeito: choques elétricos torna‑se sujeito paciente. O verbo composto usa o auxiliar apropriado e o particípio: foram distribuídos.

O agente da ação aparece introduzido por preposição: pela cientista (por + a). Observe a concordância: sujeito plural masculino exige foram distribuídos, mantendo o tempo verbal original.

Assim, Choques elétricos foram distribuídos pela cientista. é a transposição correta e preserva sentido, tempo e concordância gramatical.

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