Questão FC552005
Por que a cobra muda de pele “No princípio a morte não existia. A morte vivia com Deus, e Deus não queria que a morte entrasse no mundo. Mas a morte tanto pediu que Deus acabou con
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
IBAM · 2024
Por que a cobra muda de pele
“No princípio a morte não existia. A morte vivia com Deus, e Deus não queria que a morte entrasse no mundo. Mas a morte tanto pediu que Deus acabou concordando em deixá-la partir.
Ao mesmo tempo fez Deus uma promessa ao homem: apesar de a morte ter recebido permissão para entrar no mundo, o Homem não morreria. Além disso, Deus prometeu enviar ao homem peles novas, que ele e sua família poderiam vestir quando seus corpos envelhecessem.
Pôs Deus as peles novas num cesto e pediu ao cachorro para levá-las ao homem e sua família. No caminho, o cachorro começou a sentir fome. Felizmente, encontrou outros animais que estavam dando uma festa. Muito satisfeito com sua boa sorte, pode assim matar a fome.
Depois de haver comido fartamente, dirigiu-se a uma sombra e deitou-se para descansar. Então a esperta cobra aproximou-se dele e perguntou o que é que havia no cesto. O cachorro lhe disse o que havia no cesto e por que o estava levando para o homem. Minutos depois o cachorro caiu no sono. Então a cobra, que ficara por perto a espreitá-lo, apanhou o cesto de peles novas e fugiu silenciosamente para o bosque.
Ao despertar, vendo que a cobra lhe roubara o cesto de peles, o cachorro correu até o homem e contou-lhe o que acontecera. O homem dirigiu-se a Deus e contou-lhe o ocorrido, exigindo que ele obrigasse a cobra a devolver-lhe as peles. Deus, porém, respondeu que não tomaria as peles da cobra, e por isso o homem passou a ter um ódio mortal à cobra, e sempre que a vê procura matá-la.
A cobra, por seu turno, sempre evitou o homem e sempre viveu sozinha. E, como ainda possui o cesto de peles fornecido por Deus, pode trocar a pele velha por outra nova.”
Fonte: CAREY, Margaret. Contos e lendas da África (1981), trad. Antônio de Pádua Danesi
Depois de haver comido fartamente, dirigiu-se a uma sombra e deitou-se para descansar. Então a esperta cobra aproximou-se dele e perguntou o que é que havia no cesto. (2º parágrafo). No trecho, o termo destacado faz referência ao:
- sono.
- cesto.
- homem
- cachorro
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Gabarito
D
Comentário do professor
Gabarito: cachorro.
O termo dele é um pronome oblíquo tônico formado por de + ele, usado como complemento da preposição em "aproximou-se dele".
Gramaticalmente, esse pronome substitui o substantivo que aparece na oração anterior. Ali, o sujeito que comeu, dirigiu‑se e deitou‑se foi o cachorro, razão pela qual a cobra se aproxima exatamente daquele personagem.
A confirmação vem na sequência: logo depois lê‑se que o cachorro responde à cobra, o que garante a coesão referencial e torna cachorro o antecedente correto de dele.
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