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Questão FC552008

A resposta é simples: basta observar a nomenclatura dada à categoria que contempla os filmes não norte-americanos: “Melhor filme internacional”. Sim, para o Oscar, conhecido por mu

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

IBAM · 2024

Leia o texto abaixo.

Texto: Uma reflexão sobre a hegemonia norteamericana no audiovisual

Por Carol Bassin

No último dia 10 de março, assistimos, sem grandes surpresas, à 96º cerimônia de entrega dos “Academy Awards”, também conhecido como Oscars 2024. Contemplar o favoritismo de “Oppenheimer”, obra que conta a saga do físico J. Robert Oppenheimer, responsável pelo desenvolvimento da bomba atômica, e que conquistou nessa noite sete estatuetas, dentre elas a de melhor filme, trouxe, para muitos, a estranha sensação de “já ter visto esse enredo”.

 

Sem entrar no mérito da qualidade em si da obra e silenciando qualquer sussurro do lado técnico da mente que insiste em justificar esse favoritismo, fica um questionamento: seria essa a melhor narrativa do mundo do cinema em 2024? E por falar em mundo, que extensão, de fato, está sendo considerada?

 

A resposta é simples: basta observar a nomenclatura dada à categoria que contempla os filmes não norte-americanos: “Melhor filme internacional”. Sim, para o Oscar, conhecido por muitos como a “mais importante” celebração do cinema, haveria os Estados Unidos de um lado e o resto do mundo de outro. E desde quando surgiu essa linha imaginária (mas milionária!) que divide o império de Hollywood do restante do mundo?

 

Se considerado o contexto histórico, é possível localizar no período pós-Segunda Guerra Mundial um importante marco inicial dessa trajetória de dominação comercial do cinema norte-americano. Sendo uma das poucas potências ocidentais que chegou ao final da Segunda Guerra com reservas financeiras, os Estados Unidos aproveitaram esse momento histórico para figurar como um dos maiores financiadores da reconstrução de importantes países, tendo como uma das principais moedas de troca a garantia de espaço nas salas de cinema dessas regiões.

 

Desejo de comunicar a arte ou uma tática brilhante de dominação cultural e econômica? Aliando essa estratégia a um massivo investimento nacional nas grandes produções e estúdios, o mundo assistiria em poucos anos a uma explosão de conteúdo norte-americano em suas telas e de produtos licenciados em suas lojas e prateleiras. E, aos poucos, o “American Way of Life” se tornou um referencial utópico de prosperidade, sucesso e satisfação.

 

Para além dessa “herança cultural”, tida justificadamente como predatória, ficam ainda de legado dessa “empreitada de sucesso” duas importantes constatações: (i) entretenimento gera renda e vale o investimento estatal e (ii) espaço de tela é reserva nacional e deve ser defendido e preservado.

 

O país que inquestionavelmente já demonstrou ser mestre nesse aprendizado é a Coreia do Sul que, com o seu investimento público expressivo na produção de conteúdo audiovisual nacional, tem exportado para o mundo não só filmes, séries e doramas, mas a sua própria cultura; fazendo com que uma geração inteira consuma bens e produtos que refletem, fortalecem e financiam os seus valores nacionais.

 

E aqui no Brasil, já que o tema é Oscar, vale sempre lembrar que um país que é berço de talentos como o de Fernanda Montenegro não pode recuar diante da necessidade de se posicionar perante o mundo como um dos principais polos de criação e consumo da sétima arte.

 

O fortalecimento das políticas públicas de fomento ao audiovisual e defesa de nossas janelas de exibição é um dever do Estado e passa pela necessidade prévia do entendimento estatal de que o setor do audiovisual é uma indústria criativa que gera não só conteúdo, mas renda, tributos e emprego e, como tal, deve ser regulada, protegida e incentivada pelo poder público.

 

Reconhecer-se como uma potência no audiovisual, acima de qualquer categoria, é e será o nosso maior prêmio. Para esse objetivo, nossos melhores aplausos.

Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/2024/03/1049173- uma-reflexao-sobre-a-hegemonia-norte-americana-noaudiovisual. html. Acesso em 27/03/2024. Texto adaptado.

 

Em “E desde quando surgiu essa linha imaginária (mas milionária!) que divide o império de Hollywood do restante do mundo?”, a expressão destacada recupera um elemento anteriormente citado no texto. Esse termo é:

  1. Academy Awards
  2. J. Robert Oppenheimer
  3. mundo dcionem a
  4. Estados Unidos
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Gabarito

D

Comentário do professor

A expressão "o império de Hollywood" retoma o elemento explicitamente apresentado no texto como polo hegemônico: Estados Unidos. A própria passagem diz que há "Estados Unidos de um lado e o resto do mundo de outro", o que torna claro o referente.

Trata-se de um recurso de metonímia: o nome do lugar da indústria cinematográfica (Hollywood) representa a nação responsável por essa hegemonia. Assim, a expressão sintetiza o país sem repetir literalmente seu nome.

Do ponto de vista da coesão referencial, a retomada preserva o referente e evita redundância, mantendo a clareza sem perda de sentido. Portanto, Estados Unidos é o referente recuperado por "o império de Hollywood".

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