Questão FC552038
Como resolver?
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
IBAM · 2020
TEXTO: OS DESAFIOS DA MOBILIDADE URBANA NO BRASIL
Transporte público de qualidade é um dos pontos que mais demandam aprimoramento
Em 1960, a recém-fundada Brasília chamou a atenção das pessoas por suas avenidas longas e largas. A cidade, que nasceu como capital do Brasil, foi projetada pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa com o objetivo de se tornar uma referência para o futuro — porém, hoje é um dos municípios brasileiros que mais sofrem com engarrafamentos.
Se até mesmo um ambiente urbano planejado, como Brasília, sofro com problemas de mobilidade, imagina, então, o que ocorre em cidades centenárias, que evoluíram desordenadamente com o passar dos anos, como São Paulo e Rio de Janeiro?
É esse contexto que exige uma demanda de pensamentos sobre as maneiras de organizar o espaço da cidade considerando o território, permitindo o livre fluxo de pessoas e de mercadorias e comportando todos os meios de transportes cabíveis.
"Através do tempo, a sociedade fez e refez suas malhas urbanas seguindo as tendências que determinou para si, mesmo que impostas por poderes econômicos ou políticos.
A tecnologia agora protagoniza o escopo de soluções, apresentando à sociedade quais deverão ser implementadas para diminuir as distâncias, viabilizar o contato entre as pessoas e gerar menor impacto ambiental", explica Ricardo Fortes, diretor de relações corporativas da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), em artigo do Estadão.
Os principais problemas
Um dos maiores entraves da mobilidade urbana é a cultura do carro, que prioriza o uso de veículos particulares. Nesse sentido, "De um lado, você teve um abandono nos investimentos para os ônibus, sem obras para novos corredores, e uma política de reajuste das tarifas por parte da Prefeitura. De outro, houve uma política de facilitar a aquisição de carros", comentou o geógrafo e especialista em mobilidade urbana Rafael Calabria em entrevista ao Estadão sobre o trânsito de São Paulo.
O que Calabria falou não é observado apenas na realidade paulista, mas também em diversas regiões de outros estados. O transporte público também carece de outros modais, um exemplo disso é que apenas sete cidades brasileiras operam linhas de metrô.
Como resolver?
Não existem soluções mágicas para resolver a mobilidade urbana no país. "Enfrentar tais desafios exige soluções de infraestrutura e sistemas de transporte coletivo mais econômicos, eficientes e integrados", escreve Ruy M. Altenfelder Silva, presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas, em artigo do Estadão. A integração multimodal e a melhoria no transporte público precisam ter destaque nesse momento.
Também é preciso valorizar o transporte público; no entanto, apenas 52% dos municípios brasileiros contam com transporte urbano de acordo com a Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU). Algumas cidades grandes, como São Paulo e Curitiba, investem em áreas exclusivas para ônibus, favorecendo aqueles que optam pelo transporte público — porém, não adianta o investimento ser destinado somente às vias, também é necessário que seja voltado ao sistema estrutural.
Outra opção é apostar em ciclofaixas, já que o ciclismo e os veículos compartilhados, como patinetes, cada vez mais ganham espaço nos meios urbanos. Uma pesquisa feita pelo lbope, em 2019, mostra que 82% dos paulistanos gostariam de novas ciclovias. É uma clara tendência de apoio ao uso das bicicletas.
"Isso é um estímulo importante para a continuidade das políticas públicas que incentivem o modal", afirma Jorge Abrahão — coordenador geral da Rede Nossa São Paulo, que encomendou a pesquisa, em matéria do Estadão.
Algumas metrópoles mundiais, como Londres e Estocolmo, implementaram sistemas de pedágio urbano, cobrando pela circulação de veículos em áreas mais centrais. Outra alternativa é ampliar a cultura da carona solidária, por meio de compartilhamento do mesmo veículo por pessoas que seguem na mesma direção. Nesse sentido, um conceito que tem crescido é o de "cidade compacta", no qual todos os serviços necessários, como moradia e comércio, ficam em uma mesma área. [...]
Disponível em: https://summitmobilidade.estadao.com.br/ir-e-vir-no-mundo/os-desafios-da-mobilidade-urbana-no-brasil/. Acesso em: 20 ago. 2020.
Algumas cidades grandes, como São Paulo e Curitiba, investem em áreas exclusivas para ônibus, favorecendo aqueles que optam pelo transporte público
O termo sublinhado é um:
- elemento catafórico (refere-se a "cidades grandes")
- elemento catafórico (refere-se a "ônibus")
- elemento anafórico (refere-se a "aqueles")
- elemento anafórico (refere-se a "áreas exclusivas")
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Pronome relativo "que" atua aqui como elemento anafórico, ou seja, retoma um termo já mencionado: o antecedente aqueles. Assim, "que" estabelece ligação entre a palavra anterior e a oração que a explica.
A oração introduzida por que é uma oração subordinada adjetiva restritiva, pois delimita exatamente a que grupo de "aqueles" se refere a ação de favorecer: apenas aos que optam pelo transporte público. Sem essa oração, o sentido ficaria menos preciso.
Funcionalmente, que equivale a expressões como "os quais" e é invariável. Seu papel é conectar e qualificar o antecedente, estabelecendo relação de sentido entre os elementos da frase.
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