Questão FC552090
Águas de Março Tom Jobim É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um caco de vidro, é a vida, é o sol É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol É
Linguagem
IBAM · 2015
Águas de Março
Tom Jobim
É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um caco de vidro, é a vida, é o sol É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira Caingá candeia, é o Matita-Pereira É madeira de vento, tombo da ribanceira É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira É a viga, é o vão, festa da cumeeira É a chuva chovendo, é conversa ribeira Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira Passarinho na mão, pedra de atiradeira É uma ave no céu, é uma ave no chão É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão É o fundo do poço, é o fim do caminho No rosto um desgosto, é um pouco sozinho É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando É a luz da manhã, é o tijolo chegando É a lenha, é o dia, é o fim da picada É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração É uma cobra é um pau, é João é José É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo é uma rã É um belo horizonte, é uma febre terçã São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho Resto, toco, pouco, sozinho Caco, vidro, vida, oh, noite, morte Passo, anzol São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração
(Texto retirado do site: http://www.vagalume.com.br/elis-regina/aguas-de-marco.html)
Observe o título da música de Tom Jobim e toda a descrição feita durante a letra. A expressão " águas de março" é uma forma metafórica de se referir, nessa canção:
- às chuvas do final do verão
- aos rios que contam os estados brasileiros
- a um rio específico da região sudeste
- às chuvas que ocorrem em estações do ano mais secas.
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Gabarito
A
Comentário do professor
"Águas de março" funciona na canção como uma imagem climática. A expressão refere-se, de modo metafórico, às **chuvas do final do verão**, que anunciam o encerramento de um ciclo e trazem renovação.
O próprio texto da música orienta essa leitura: "É a chuva chovendo, é conversa ribeira / Das águas de março, é o fim da canseira". A menção direta à chuva liga as águas ao fenômeno pluviométrico.
Além disso, a repetição "São as águas de março fechando o verão" explicita o momento temporal. Fechar o verão indica o período de transição marcado por chuvas típicas de março no Brasil.
Portanto, interpretar águas de março como chuvas do final do verão concilia a imagem poética com os sinais textuais de fim de estação e promessa de vida presentes na letra.
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