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Questão FC552121

DEIXA O ALFREDO FALAR! A arte brasileira da conversa não é de fácil aprendizado. Como toda arte, exige antes de mais nada uma verdadeira vocação. E essa vocação se aprimora ao long

Partícula "Se"

IBAM · 2021

DEIXA O ALFREDO FALAR!

 

A arte brasileira da conversa não é de fácil aprendizado. Como toda arte, exige antes de mais nada uma verdadeira vocação. E essa vocação se aprimora ao longo do caminho que vai da inocência à experiência. Como em toda arte.

 

Distinga-se: quando falo em conversa, não estou me referindo à lábia, à astúcia, à solércia do brasileiro no passar a bicaria e vender o seu peixe. Falo precisamente no bate-papo, erigido numa das mais requintadas instituições nacionais.

 

Mas por que arte brasileira? Os outros povos acaso não batem papo? A própria expressão, brasileiríssima, corresponde em inglês exatamente ao verbo “to chat.” Até os ingleses, meu Deus, os ingleses têm também o seu papo: um deles, na mesa do bar, olha para fora e diz que vai chover; meia hora depois outro diz que não vai chover; meia hora depois o terceiro se retira dizendo que não gosta de discussão. A falta de graça desta velha anedota não está em ser velha, mas na finalidade útil que fez murchar o papo. Este não deve ter finalidade alguma, senão a de matar o tempo da melhor maneira possível. É coisa de latino em geral e de brasileiro em particular: fazer da conversa não um meio, mas um fim em si mesmo. Se não me engano, essa é a distância que separa a ciência da arte.

 

No papo bem batido, a discussão não passa de uma motivação, sem intuito de convencer ninguém, nem de provar que se tem razão. Os que nela se envolvem devem estar sempre prontos a reconhecer, no íntimo, que poderiam muito bem passar a defender o ponto-de-vista oposto, desde que os que O defendem fizessem o mesmo. Os temas devem ser de uma apaixonante gratuidade, a ponto de permitir que, no desenrolar da conversa, de súbito ninguém mais saiba o que se está discutindo. Mesmo nas eternas discussões sobre mulher, religião ou futebol, para que se constituam em bate-papo, longas digressões hão de ser admitidas, desde que pertinentes.

 

Compilado e adaptado. Crônica de Fernando Sabino.

Analise as sentenças abaixo.

 

I. “E essa vocação se aprimora ao longo do caminho”.

 

Il. “Se não me engano, essa é a distância que separa a ciência da arte”.

 

Os elementos sublinhados, morfologicamente, classificam-se respectivamente como:

  1. pronomes em l e ll.
  2. I - conjunção; Il - pronome.
  3. I - pronome; Il - conjunção.
  4. conjunção em l e ll
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A tarefa é identificar a classe gramatical de cada ocorrência de se no texto, ou seja, fazer uma classificação morfológica das palavras.

Na sentença I, "essa vocação se aprimora", o se funciona como pronome reflexivo, porque indica que o sujeito pratica e recebe a ação. Teste prático: substitui-se por "a si mesma" — "essa vocação a si mesma aprimora" (sentido restitutivo), confirmando o caráter pronominal.

Na sentença II, "Se não me engano", o Se introduz uma condição e não retoma elemento da oração, portanto é conjunção condicional. Pode-se trocar por "caso": "Caso não me engane", mantendo o sentido condicional.

Conclusão: morfologicamente, I = pronome; II = conjunção. A mesma forma pode pertencer a classes diferentes conforme o contexto.

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