Questão FC552151
REPOLHOS IGUAIS Sempre me impressiona o impulso geral de igualar a todos ser diferente, sobretudo ser original, é defeito Parece perigoso E. se formos diferentes, quem sabe aqui e
Vocábulo "Que"
IBAM · 2014
REPOLHOS IGUAIS
Sempre me impressiona o impulso geral de igualar a todos ser diferente, sobretudo ser original, é defeito Parece perigoso E. se formos diferentes, quem sabe aqui e ali uma medicaçaozinha ajuda.
Alguém é mais triste? Remédio nele. Deprimido? Remédio nele (ainda que tenha acabado de perder uma pessoa amada, um emprego, a saúde.) . Mais gordinho? Dieta nele. Mais alto? Remédio na adolescência para parar de crescer . Mais relaxado na escola? Esse é normal. Mais estudioso, estudioso demais? A gente se preocupa, vai virar nerd (se for menina ,vai demorar a conseguir marido).
Não podemos, mas queremos tornar tudo homogêneo. meninas usam o mesmo cabelo, a mesma roupa, os mesmos trejeitos ; meninos, aquele boné virado. Igualdade antes de tudo , quando a graça, o poder, a força estão na diversidade. Narizes iguais, bocas iguais, sobrancelhas iguais, posturas iguais .
Não se pode mais reprovar crianças e jovens na escola, pois são todos iguais. Serão? É feio, ou vergonhoso, ter mais talento, ser mais sonhador, ter mais sorte, sucesso , trabalhar mais e melhor.
Vamos igualar tudo, como lavouras de repolhos. se passiveis iguais. E assim, com tudo o que pode ser controlado com remédios, nos tornamos uma geração medicada. Não todos - deixo sempre aberto o espaço da exceção para ser realista. e respeitando o fato de que para muitos os remédios são uma necessidade - . mas uma parcela crescente da população é habitualmente medicada.
Remédios para pressão alta, para dormir. para acordar, para equilibrar as emoções , para emagrecer, para ter músculos, para ter um desempenho sexual fantástico, para ter a ilusão de estar com 30 anos quando se tem 70 Faz alguns anos reina entre nós o diagnóstico de déficit de atenção para um número assustador de crianças .
Não sou psiquiatra. mas a esta altura de minha vida criei e acompanhei e vi muitas crianças mais agitadas, ou distraídas, mas nem por isso precisadas de medicação a torto e a direito. Fala-se, não sei em que lugar deste mundo louco, em botar Ritalina na merenda das escolas públicas. Tal fúria de igualitarismo esconde uma ideologia tola e falsa.
Se déssemos a 100 pessoas a mesmq quantidade de dinheiro e as mesmas oportunidades. em dois anos todas teriam destino diferente: algumas multiplicariam o dinheiro; outras o esbanjariam; outras o guardariam ; outras ainda o dedicariam ao bem (ou ao mal) alheio.
Então, quem sabe, querer apaziguar todas as crianças e jovens com medicamentos para que não estorvem os professores já desesperados por falta de estímulo e condições, ou para permitir aos pais se preocuparem menos , ou ajudar as babás enquanto os pais trabalham ou fazem academia ou simplesmente viajam, nem valerá a pena.
Teremos mais crianças e jovens aturdidos, crianças e jovens mais violentos e inquietos quando a medicação for suspensa. Bastam, para desatenção, agitação e tantas dificuldades relacionadas, as circunstâncias de vida atual.
Recentemente, uma pediatra experiente me relatou que a cada tantos anos aparecem em seu consultório mais crianças confusas, atônitas, agitadas demais. algumas apenas sofrendo por separações e novos casamentos. em que os filhos, que não querem se separar de ninguém, são puxados de um lado para o outro, sem casa fixa, um centro de referência , um casal de pais sempre os mesmos.
Quem as traz são mães ou pais em igual estado. Correrias, compromissos, ansiedade por estar na crista da onda , por participar e ser o primeiro, por não ficar para trás , por não ser ignorado, por cumprir os horários, as prescrições, os comandos, tudo o que tantas pressões sociais e culturais ordenam, realmente estão nos tornando eternos angustiados e permanentes aflitos.
Mudar de vida é difícil. Em lugar de correr mais, parar para pensar, roubar alguns minutos para olhar, contemplar, meditar, também é diflcil , pois é fugir do padrão . Então seguimos em frente, nervosos com nossos filhos mais nervosos. Haja psicólogo, psiquiatra e medicamento para sermos todos uns repolhos iguais
Lya Luft, disponivel em {http .llvejaabril.com.brlbloglricardo
-settiltema-livre//ya -luft-repo!hos- iguaisl], publicado em 1015/2014 , consultado em 18/10/2014.
Leia os períodos abaixo.
I. Em sua maneira de andar há um quê de menina, embora já seja uma mulher.II. Por quê você está rindo da situação? Não é o caso, com certeza.III. Não sei o quê ela viu nesse rapaz, ele não tem modos e é grosseiro com todos!IV. Quê bom você haver resolvido voltar a estudar!
Os termos “quê”, acentuados, foram empregados em consonância com a norma culta no(s) período(s) apresentado(s) em:
- I, apenas.
- I e III, apenas.
- III e IV, apenas.
- II, III e IV, apenas.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Na frase Em sua maneira de andar há um quê de menina, embora já seja uma mulher, a palavra quê aparece com acento porque atua como substantivo. A presença do artigo indefinido um antes do termo confirma essa função: "um quê" equivale a "um traço" ou "uma certa qualidade".
Segundo a norma culta, acentua-se quê quando a palavra é substantivo, interjeição ou pronome interrogativo em final de frase. Aqui, por ser substantivo, mantém o acento circunflexo para marcar essa classe e distinguir a pronúncia e o sentido de outras ocorrências da palavra que.
Portanto, a grafia quê em I está correta por ser um substantivo precedido de artigo, justificando a acentuação.
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