Questão FC552161
O texto seguinte servirá de base para responder à questão A lição do pavão Conheci Lisboa aos 20 anos, cheio de emoção ao desembarcar do navio "Augustus". Hospedado numa pensão nos
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2025
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
A lição do pavão
Conheci Lisboa aos 20 anos, cheio de emoção ao desembarcar do navio "Augustus". Hospedado numa pensão nos Restauradores, sobrevivi com trocados de bicos no Teatro ABC.
Portugal foi uma volta às minhas raízes maternas, e eu me deliciava com os encantos visuais, culturais e, principalmente, sonoros do lugar. Aquela língua parecia uma canção constante, livre dos irritantes gerúndios. Nesse país o português é claro e direto, enquanto os mal-entendidos restam ao português-brasileiro.
Um episódio curioso aconteceu numa feira donde um paulista perguntou se as laranjas eram doces, recebendo a genial resposta: "São laranjas; os doces estão do outro lado". Isso exemplifica a clareza e humor dos lusitanos.
Esses dias um político brasileiro fez uma série de gafes em entrevistas com jornalistas portugueses, mostrando que certos indivíduos são mestres em embromação e desfaçatez. Como se diz em Lisboa: "o pavão, quanto mais levanta a cauda, mais se lhe vê o rabo".
Fernando Fabbrini - Texto Adaptado
https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/a-licao-do-pavao-1.2857724
Sobre a frase "Portugal foi uma volta às minhas raízes maternas", é correto afirmar que:
- o autor sugere que a experiência de viver em Portugal permitiu uma redescoberta de sua própria identidade cultural.
- há uma referência direta ao distanciamento geográfico do autor em relação ao Brasil, mas sem envolver questões emocionais.
- a frase é empregada para ilustrar o desinteresse do autor pela língua portuguesa brasileira em detrimento do português europeu.
- a construção revela um tom de nostalgia, mas contradiz a crítica posterior ao estilo linguístico do português europeu.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A expressão "raízes maternas" funciona como metáfora: raízes remete a origem, vínculo profundo, e maternas indica a linhagem ligada à mãe. Assim, o autor não fala só de lugar físico, mas de laços afetivos e culturais.
O verbo volta sugere reencontro ou retorno a algo previamente pertencente. A combinação das imagens indica que a viagem a Portugal propiciou um encontro com memórias e tradições familiares, não apenas turismo.
No contexto do texto, essa experiência é vivida de modo sensorial e nostálgico, o que corrobora a ideia de uma redescoberta pessoal. Em suma, a frase aponta para a retomada e afirmação da identidade cultural do autor.
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