Questão FC552162
O texto seguinte servirá de base para responder à questão A lição do pavão Conheci Lisboa aos 20 anos, cheio de emoção ao desembarcar do navio "Augustus". Hospedado numa pensão nos
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2025
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
A lição do pavão
Conheci Lisboa aos 20 anos, cheio de emoção ao desembarcar do navio "Augustus". Hospedado numa pensão nos Restauradores, sobrevivi com trocados de bicos no Teatro ABC.
Portugal foi uma volta às minhas raízes maternas, e eu me deliciava com os encantos visuais, culturais e, principalmente, sonoros do lugar. Aquela língua parecia uma canção constante, livre dos irritantes gerúndios. Nesse país o português é claro e direto, enquanto os mal-entendidos restam ao português-brasileiro.
Um episódio curioso aconteceu numa feira donde um paulista perguntou se as laranjas eram doces, recebendo a genial resposta: "São laranjas; os doces estão do outro lado". Isso exemplifica a clareza e humor dos lusitanos.
Esses dias um político brasileiro fez uma série de gafes em entrevistas com jornalistas portugueses, mostrando que certos indivíduos são mestres em embromação e desfaçatez. Como se diz em Lisboa: "o pavão, quanto mais levanta a cauda, mais se lhe vê o rabo".
Fernando Fabbrini - Texto Adaptado
https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/a-licao-do-pavao-1.2857724
A expressão "o pavão, quanto mais levanta a cauda, mais se lhe vê o rabo", utilizada no texto, possui o sentido de:
- criticar a percepção superficial de cultura e sofisticação que certos indivíduos buscam transmitir.
- relacionar o comportamento humano ao mundo animal, destacando a valorização de características visíveis.
- enfatizar que a ostentação exagerada revela fragilidades, destacando a crítica ao comportamento de políticos brasileiros.
- evidenciar a beleza e a elegância do pavão como metáfora para a simplicidade e clareza da língua portuguesa em Portugal.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Alternativa C indica que a imagem do pavão traduz a ideia de que a ostentação exagerada acaba por revelar as próprias fraquezas.
Na metáfora, o pavão levanta a cauda para se exibir; quanto mais exibe, mais se vê o rabo. Assim, a exibição não oculta defeitos, antes os torna mais evidentes.
No contexto do texto, essa figura critica comportamentos de políticos que, ao tentar impressionar, acumulam gafes e demonstram despreparo. A expressão funciona como julgamento moral e político: a vaidade expõe a fragilidade.
Portanto, a alternativa resume com precisão o sentido do provérbio: crítica à ostentação que revela fragilidades, aplicada ao comportamento descrito pelo autor.
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