Questão FC552195
Serão lixo? Ou era um antigo e maquilado carma?
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2025
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Rasgando pedaços do passado
Por medo, relutei!
Para me fortalecer, desatinei!
Hoje sentei e revirei as caixas do meu passado.
Amontoadas na estante do esquecimento.
Empoeiradas com o olhar pesado.
Relembrando páginas de outrora neste momento
Percebo a história da minha vida.
Cada página rasgada dói na alma.
É um pouco de mim que se vai.
São as asas de um sonho que agora cai.
Os trejeitos de uma época bem resolvida.
Serão lixo? Ou era um antigo e maquilado carma?
Ao revirar as folhas guardadas dos meus 13 anos...
... tive uma agradável surpresa!
Uma carta que deixei para mim...
... e que com o tempo esquecera.
Parecia que estava conversando com aquele menino sereno.
Aquele menino que hoje invejo...
Em pranto, resolvi queimar esse passado...
... que tanto me fez feliz e que ainda me atormenta!
Mas a nostalgia apareceu e com um tapa de luva me acertou.
Então guardei aquelas folhas iminentes ao fim.
Sentei no meu orgulho.
Mergulhei nas facetas de outro eu.
Escrevi uma carta!
Para quem sabe, daqui dez anos, ainda me lembre de
que fugir do passado...
... é matar uma parte de mim mesmo!
Rian Lopes
https://cronicas-curtas.blogspot.com/search?updated-max=2016-02-23 T06:52:00-08:00&max-results=15
Sobre o processo de revisitar memórias no texto, pode-se afirmar que:
- Representa um confronto entre nostalgia e a tentativa de seguir em frente.
- Demonstra uma completa desconexão entre o autor e seu "eu" mais jovem.
- Aponta para uma aceitação imediata e sem conflito das experiências do passado.
- Indica uma atitude pragmática em relação ao passado, sem envolvimento emocional.
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Gabarito
A
Comentário do professor
O processo de revisitar memórias no poema configura um claro conflito entre a atração do passado e a vontade de avançar.
O eu lírico oscila: por um lado, sente dor e decide “queimar esse passado” para se libertar; por outro, é tocado pela nostalgia ao lembrar “aquele menino que hoje invejo”.
Essa ambivalência aparece também em imagens fortes: “cada página rasgada dói na alma” revela sofrimento ao tentar apagar lembranças, enquanto guardar as folhas e escrever uma nova carta mostra esforço de superação.
No final, a reflexão “fugir do passado... é matar uma parte de mim mesmo” sintetiza a tensão entre preservar memórias e seguir em frente, evidenciando o confronto entre lembrança e mudança.
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