Questão FC552236
Leia o texto a seguir, extraído da seção “O que a Folha pensa” para responder a questão PJ aquece mercado de trabalho, mas impõe desafios Folha de São Paulo Os números do trabalho
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2025
Leia o texto a seguir, extraído da seção “O que a Folha pensa” para responder a questão
PJ aquece mercado de trabalho, mas impõe desafios
Folha de São Paulo
Os números do trabalho no Brasil passaram por mudanças relevantes desde a grande recessão de 2014-16, em parte influenciadas pela reforma da CLT aprovada em 2017.
Termos como terceirização e pejotização entraram no centro dos debates político e econômico. Depois de uma década, o cenário demanda que se discutam regulação do trabalho, impostos e contribuições previdenciárias.
Reportagem nesta Folha apresentou dados — oriundos de pesquisa de Nelson Marconi, da Escola de Administração de São Paulo da FGV — que revelam a redução da parcela dos ocupados em contratos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho.
Ademais, pessoas empregadas por conta própria, segundo a terminologia do IBGE, e com CNPJ têm rendimentos superiores aos daqueles que trabalham nos mesmos setores como celetistas.
Uma pista para explicar tal diferença é o fato de que entre os por conta própria formalizados há pessoas de maior qualificação. A redução do custo tributário e a flexibilidade levaram pessoas a optar por esse regime ou a serem para ele levadas por empresas que as empregavam.
A parcela dos empregados em contratos da CLT era de 39,2% em 2012; chegou ao pico de 41% do total dos ocupados em 2014. A taxa dos que trabalhavam por conta própria flutuou pouco em torno de 22,5% de 2012 a 2014, indo a 24,1% no final de 2016. Atualmente, os celetistas são 38,1%, e os por conta própria, 25,2%.
Note-se que, desde 2019, quase todo o crescimento dos primeiros se deu naquela categoria dos que têm registro de CNPJ, com rendimentos mais altos.
Ainda que possa favorecer trabalhadores, a transformação não deixa de trazer questões problemáticas. Os regimes de tributação do Simples e do Microempreendedor Individual (MEI), que facilitam ou incentivam a pejotização — tornarse pessoa jurídica, ou PJ — com isenções fiscais, também provocam a redução da receita de impostos e contribuições previdenciárias.
Por exemplo, em 2012, o gasto tributário com o Simples equivalia a 0,66% do Produto Interno Bruto; em 2025, a 0,98%.
Tais impactos se somam ao envelhecimento da população como motivos de subfinanciamento da Previdência Social. No caso federal, a receita do INSS passou do patamar de 4,7% do PIB na virada do século para uma média de 5,6% entre 2009 e 2024, ora em 5,5%. Já a despesa cresceu de 5,7% do PIB para 8% do PIB hoje.
A correta reforma de 2017 tornou a CLT menos rígida e obsoleta, facilitando a criação de vagas formais. A legislação trabalhista precisa continuar se adaptando às mudanças no mercado, que incluem ainda o emprego por aplicativos. Igualmente, as normas previdenciárias, alteradas em 2019, precisarão de aperfeiçoamento contínuo nos anos por vir.
Recalibrar a tributação de salários e lucros e delimitar o alcance do Simples e do MEI são temas a serem tratados desde já.
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/08/pjaquece- mercado-
de-trabalho-mas-impoedesafios. shtml. Acesso em 12/08/2025
O dado sobre o crescimento do gasto tributário com o Simples (de 0,66% do PIB em 2012 para 0,98% em 2025), no 10º parágrafo, é utilizado no texto para:
- comprovar que o Simples não contribui para a pejotização
- demonstrar que a pejotização é irrelevante para a economia nacional
- reforçar a ideia de que regimes tributários especiais impactam as receitas públicas
- argumentar que a arrecadação previdenciária aumentou proporcionalmente ao PIB
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O autor usa o dado para reforçar a ideia de que regimes tributários especiais têm efeito direto sobre as finanças estatais.
Ao mostrar que o gasto tributário com o Simples cresceu de 0,66% do PIB em 2012 para 0,98% do PIB em 2025, o texto fornece um exemplo numérico de quanto receita o Estado deixa de arrecadar por causa dessas isenções.
Esse aumento sinaliza uma elevação do volume de receitas renunciadas, o que tende a reduzir recursos disponíveis para políticas públicas, em especial para a previdência e demais obrigações sociais.
Portanto, o dado serve como evidência concreta para sustentar a afirmação de que regimes como o Simples impactam negativamente as receitas públicas e exigem debate sobre recalibração tributária.
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