Questão FC552255
Texto I Retorno ao presencial pode estimular rotatividade ainda maior, aponta pesquisa O processo de retorno do trabalho remoto ao regime presencial pode intensificar a já elevada
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2025
Texto I
Retorno ao presencial pode estimular rotatividade ainda maior, aponta pesquisa
O processo de retorno do trabalho remoto ao regime presencial pode intensificar a já elevada rotatividade do mercado de trabalho brasileiro, e isso vale principalmente para as mulheres.
É o que mostra pesquisa feita pela empresa de recrutamento Robert Half em parceria com o Insper, que ouviu 1.432 profissionais de diferentes setores e níveis hierárquicos em empresas de todo o Brasil entre março e abril.
O levantamento mostra que 34% dos entrevistados, tanto homens como mulheres, têm intenção de sair do emprego, mesmo se os atuais arranjos de home office forem mantidos.
Os dados estão em linha com a já elevada rotatividade no mercado de trabalho. Números levantados pela consultoria LCA mostram que mais de um terço dos trabalhadores com carteira assinada mudaram de emprego nos últimos 12 meses [...]
É um cenário que mostra a insatisfação com a volta gradual ao presencial, aponta Mariana Horno, diretora da Robert Half.
"Os funcionários se acostumaram a ter flexibilidade no emprego, valorizando a sensação de bem-estar e saúde mental", afirma. "As pessoas acabam não entendendo a volta ao presencial, principalmente quando avaliam que não há perda de produtividade."
Esse panorama vale especialmente para as mulheres, segundo o levantamento. Enquanto 66% dos homens afirmaram que iriam querer sair do emprego se perderem parcialmente o trabalho remoto, o percentual é de 77% no caso delas.
Quando a pergunta é sobre qual seria a reação à perda total do trabalho remoto, 66% dos homens afirmam que teriam intenção de sair do emprego, contra 81% das mulheres.
"As mulheres sofrem mais com a falta de flexibilidade. Ainda existe uma sobrecarga feminina para questões domésticas, como a rotina com os filhos, além de questões de bem-estar e autocuidado", diz Horno.
A pesquisa perguntou ainda sobre as principais perdas enxergadas pelos trabalhadores em caso de volta total ao trabalho presencial. A maior parte apontou o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, com 83% das mulheres e 76% dos homens.
"Quando há um engessamento do modelo, ou seja, quando a empresa determina que o presencial aconteça em dias determinados, a insatisfação é maior. A reação não é somente em relação à quantidade de dias, mas também à liberdade de escolha", afirmou a diretora da Robert Half.
Em seguida, aparece a redução do estresse, com 81% das mulheres e 72% dos homens indicando essa como uma perda importante no caso da volta total ao presencial.
"Em um contexto no qual funções domésticas e de cuidado seguem recaindo principalmente sobre as mulheres, a flexibilidade tem sido fundamental para que elas consigam equilibrar as múltiplas demandas da vida pessoal e do trabalho", afirma Tatiana Iwai, professora e coordenadora do Centro de Estudos em Negócios do Insper.
Horno aponta que, de um ano e meio para cá, cresceu a pressão para redução do home office entre as empresas. "Ainda há muitas empresas com três dias no escritório e dois em casa, mas a maior parte das conversas vai no sentido de elevar esse número para quatro dias presencialmente", diz.
A diretora afirma que a disposição para reduzir o home office varia bastante de empresa para empresa. "Quando há medições mais precisas, que eventualmente mostrem que a produtividade não atende ao desejado, a tendência é que haja uma rigidez maior", avalia.
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/09/retorno -ao-presencial-pode-estimular-rotatividade-ainda-maioraponta- pesquisa.shtml. Adaptado.Acesso em 17/09/2025
O texto indica que o aumento da rotatividade no mercado de trabalho pode ser intensificado com o retorno do trabalho presencial. Considerando os dados apresentados no texto, é possível inferir que:
- ( ) a rotatividade no país aumentará independentemente das políticas de home office adotadas.
- ( ) homens e mulheres têm percepções idênticas sobre a perda de home office, tornando o gênero uma variável irrelevante na análise apresentada.
- ( ) o retorno total ao presencial é positivo para a produtividade das empresas, o que justificaria a alta rotatividade de profissionais nos cargos e funções.
- ( ) a perda de flexibilidade no trabalho é um fator que tende a aumentar a insatisfação e a intenção de desligamento, principalmente entre mulheres.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Perda de flexibilidade leva a maior insatisfação e intenção de sair, especialmente entre mulheres. No levantamento, ao perderem parcialmente o home office, 66% dos homens e 77% das mulheres manifestaram vontade de deixar o emprego; na perda total, o índice sobe para 66% dos homens e 81% das mulheres. Esses números mostram tendência clara de maior propensão feminina ao desligamento quando a flexibilidade é reduzida.
O texto também indica quais perdas são percebidas: equilíbrio entre vida pessoal e profissional (83% das mulheres vs 76% dos homens) e redução do estresse (81% vs 72%).
Esses dados, junto às explicações sobre sobrecarga doméstica e de cuidado recair mais sobre mulheres, justificam a inferência de que a perda de flexibilidade tende a aumentar a insatisfação e a intenção de desligamento, sobretudo entre mulheres.
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