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Questão FC552283

Texto I Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial Por Arlindenor Pedro Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBAM · 2025

Texto I

 

Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial

 

Por Arlindenor Pedro

 

Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com seus geniais desempenhos — ficou sem aparecer nos cinemas.

 

No intervalo entre o seu último filme, "Luzes da Cidade", e o lançamento de "Tempos Modernos", Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que "Tempos Modernos" seria o último filme do personagem. O que aconteceu de fato!

 

O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!

 

Em 1931, Chaplin fez uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise por alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro por implementos, que tiveram seu ápice com a linha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.

 

Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final de seu próximo filme, lançado já em plena guerra: "O Grande Ditador".

 

Em "Tempos Modernos", Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar à linha de produção e, por isso mesmo, levado à loucura.

 

Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a ser revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas.

 

Fonte: https://www.jb.com.br/cadernob/ 2025/10/1057433-tempos-modernos-uma-critica-asociedade- industrial.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto

 

O texto apresenta uma perspectiva críticointerpretativa sobre a obra “Tempos Modernos”. A ideia central do autor está corretamente manifestada:

  1. na exaltação do progresso industrial e do racionalismo científico como pilares do avanço social moderno.
  2. na denúncia da transformação do homem em mera abrangência do sistema produtivo capitalista.
  3. na defesa do cinema sonoro como ruptura definitiva com o humanismo artístico de Chaplin.
  4. na crítica à recusa de Chaplin em aderir às inovações tecnológicas do cinema.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa correta aponta que o texto faz a denúncia da transformação do homem em mera engrenagem do sistema produtivo capitalista.

O autor descreve como a racionalização do trabalho (Taylorismo, Fayol, linha de montagem fordista) reduz o indivíduo a funções mecânicas, retirando-lhe a dimensão humana. Em Tempos Modernos, Chaplin ilustra essa perda por meio de cenas em que o personagem é engolido pelas máquinas, símbolo da desumanização.

Além disso, o texto relaciona essa lógica produtiva ao desemprego e ao aumento das tensões sociais, mostrando que a crítica central é a transformação do ser humano em instrumento da produção. Assim se confirma a leitura crítica e interpretativa indicada pela alternativa.

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