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Questão FC552296

Texto: LONGEVIDADE PARA POUCOS A expectativa de vida de brasileiras e brasileiros voltou a aumentar, depois do retrocesso em razão da pandemia, que matou 707 mil habitantes, em cer

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBAM · 2024

Texto: LONGEVIDADE PARA POUCOS

 

A expectativa de vida de brasileiras e brasileiros voltou a aumentar, depois do retrocesso em razão da pandemia, que matou 707 mil habitantes, em cerca de dois anos, idosos à frente. A longevidade avançou no Brasil em todas as décadas desde os anos 1940, até o ponto máximo de 76,2 anos em 2019. Caiu a 72,8 anos em 2021, uma barbaridade. Está agora em 75,5 anos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

O envelhecimento da população é conquista a ser festejada sob qualquer aspecto. A provar, está a avalanche de celebração pública anteontem, pelos 77 anos de Conceição Evaristo, professora e escritora premiada. Ela costuma contar que começou a escrever aos 40 e a receber reconhecimento público a partir dos 70. Não me permito esquecer que Clementina de Jesus gravou o primeiro álbum depois dos 60 anos. Entre os povos originários e comunidades tradicionais, os mais velhos são guardiões da História, dos ritos. São riqueza e memória.

 

O Brasil se acostumou a narrativas tóxicas que fazem da velhice um fardo para a Previdência, assistência social, saúde. Está nas planilhas da burocracia, mais preocupadas em apontar riscos do futuro que em admitir descasos do passado. E esse legado nefasto que o país precisa superar.

 

Década após década, enquanto a esperança de vida aumentava na média, crescia a distância entre a longevidade de mulheres e homens no país. A diferença a favor das mulheres, que não chegava a seis anos até 1970, hoje passa de sete. Mulheres vivem mais que homens, mas no Brasil mortes por causas externas têm acentuado essa diferença. Nos dados mais recentes, a perspectiva de longevidade ao nascer é de 79 anos para elas e 72 para eles.

 

São acidentes de trânsito e, principalmente, homicídio de jovens rapazes que têm encurtado a vida dos homens brasileiros. A tragédia se dá, sobretudo, entre os negros. Às vésperas do Dia Nacional da Consciência Negra, tornado feriado em todo o país anteontem por votação do Congresso, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública informou que, em duas décadas, 408 mil pessoas pretas ou pardas foram assassinadas no Brasil. Foram sete em cada dez vítimas.

 

A longevidade é também relativa para pessoas trans no Brasil. A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) denunciou ao Ministério dos Direitos Humanos 131 assassinatos em 2022. Pelo 14º ano seguido, o país foi o primeiro em homicídio por ódio a esse grupo. Das vítimas, 90% tinham entre 15,e 40 anos, o que consolida a expectativa de vida de 35 anos, menos da metade do estimado pelo IBGE para o restante da população.

 

No Censo de 2022, o Instituto informou que a população de 60 anos ou mais saltou 56% sobre 2010. Quinze em cada cem brasileiros estão nessa faixa etária, um total de 32 milhões de habitantes. Também aqui as desigualdades se impõem. Nos estados do Sudeste e do Sul, a proporção de idosos e a esperança de vida são maiores que no Norte e no Nordeste. Quando a ONU (Organização das Nações Unidas) produziu, na virada do século, o primeiro relatório do desenvolvimento humano para uma cidade, o Rio de Janeiro, a diferença era de uma década na expectativa de vida na favela da Rocinha da Gávea, bairro próximo de alta renda.

 

No Brasil, CEP (Código de Endereçamento Postal) determina a diferença entre envelhecer ou não, porque revela condições de vida, qualidade da habitação e alimentação (em qualidade e quantidade); acesso a educação, saneamento básico e saúde, a bens e serviços; a trabalho e renda, mobilidade e segurança, lazer e cultura, sono tranquilo. O Brasil envelhece, e isso é bom. Melhor será quando longevidade for direito de todos, não privilégio de poucos.

 

FLÁVIA OLIVEIRA Adaptado de oglobo.globo.com, 01/12/2023.

 

É esse legado nefasto que o país precisa superar. (3º parágrafo)

 

Em relação à frase final do 3º parágrafo, os parágrafos posteriores têm a função de apresentar:

  1. exemplos
  2. condições
  3. finalidades
  4. comparações
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Gabarito

A

Comentário do professor

Na frase "É esse legado nefasto que o país precisa superar." o autor formula uma ideia geral sobre os prejuízos históricos que afetam a longevidade. Os parágrafos seguintes têm a função de apresentar exemplos concretos que ilustram esse legado.

Cada parágrafo subsequente descreve casos específicos: a diferença entre sexos por mortes externas, os homicídios de jovens negros, a violência contra pessoas trans e as desigualdades regionais. Essas informações funcionam como evidências que comprovam e detalham o problema anunciado na frase.

Assim, a sequência textual obedece à lógica de tese seguida de exemplificação, reforçando o argumento inicial por meio de dados e relatos concretos.

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