Questão FC552332
O que cérebro de macacos-prego revela sobre o AlzheimerOs macacos-prego-amarelo têm uma habilidade cognitiva 'extraordinária', aponta pesquisa Um grupo de cientistas brasileiros ac
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2024
Os macacos-prego-amarelo têm uma habilidade cognitiva 'extraordinária', aponta pesquisa
Um grupo de cientistas brasileiros acaba de descobrir que os macacos-prego-amarelo (Sapajus libidinosus), uma espécie típica de Brasil e Bolívia, também desenvolvem a doença de Alzheimer. Os pesquisadores analisaram o cérebro de três primatas dessa espécie que morreram aos 9, 29 e 33 anos, respectivamente. Nos dois indivíduos mais velhos, os exames detectaram a presença de dois marcadores típicos desse quadro de demência: o acúmulo das proteínas beta-amiloide e TAU. No Alzheimer, a beta-amiloide se acumula no espaço entre os neurônios, enquanto a TAU ocupa o interior das células nervosas — o que eventualmente leva à morte delas. A perda dessas células que compõem o cérebro leva à progressão dos sintomas típicos da doença, como esquecimentos e dificuldades no raciocínio. A descoberta sobre os macacos-prego-amarelo pode abrir novas perspectivas de pesquisas para o desenvolvimento de exames de diagnóstico e remédios contra o Alzheimer, acreditam os especialistas.
A neurologista Roberta Diehl Rodriguez, que é a primeira autora da pesquisa, publicada em 15 de março no periódico especializado Scientific Reports, do grupo Nature, explica que o projeto começou a partir de uma aliança entre as duas universidades brasileiras. De um lado, a Universidade de Brasília (UnB) possui um Centro de Primatologia, que é especializado em avaliar diferentes tipos de macacos. Do outro, a Universidade de São Paulo (USP) abriga um importante Departamento Neurologia, com equipamentos avançados para realizar diversos tipos de investigações científicas. " O Centro de Primatologia da UnB realiza uma série de testes psicológicos e funcionais com os macacos. Porém, quando os animais morriam, eles nunca tinham conseguido examinar o cérebro deles", diz ela. "Durante uma conferência, o professor Ricardo Nitrini [da USP] conversou com a professora Maria Clotilde Tavares [da UnB], e eles tiveram a ideia de fazer essa parceria, iniciada em 2018", contextualiza a médica.
Rodriguez destaca que, ao analisar o que tinha sido publicado anteriormente sobre os macacos-prego, não havia muitas informações sobre o cérebro deles e o risco de desenvolverem demência. "E é uma das espécies de macacos do Novo Mundo mais inteligentes que conhecemos", observa ela. Os macacos do Novo Mundo são um grupo que designa as espécies de primatas típicas do continente americano. Alguns estudos publicados nas últimas décadas mostram a capacidade cognitiva avançada desse primata, que vive principalmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Eles são capazes, por exemplo, de produzir ferramentas de pedra, usadas para quebrar castanhas e outros alimentos duros, bem como rachar troncos e galhos para facilitar o acesso a insetos e larvas.
Os macacos-prego-amarelo também conseguem ficar na posição bípede por um longo tempo e utilizam gravetos para pegar alimentos, mel e água. Em regiões de mangue, eles usam pedaços de madeira para quebrar conchas e moluscos. "Macacos-prego selvagens ou mantidos em cativeiro foram submetidos a diversos testes cognitivos, que revelam pontos fortes em memória de trabalho, aprendizagem, recordação, função executiva e resolução de problemas", lista o estudo recém-publicado. "Eles demonstram capacidade de aprender de forma independente, por meio de tendências exploratórias, bem como capacidade de aprender ao observar indivíduos mais velhos. Além disso, podem apresentar modificações de comportamento devido à coabitação com seres humanos", acrescenta o texto.
Como citado no início da reportagem, os cientistas fizeram análises e testes com os cérebros extraídos de três macacos-prego-amarelo que morreram por outras causas aos 9, 29 e 33 anos de idade. E o trabalho revelou que esses animais podem apresentar um quadro similar ao que é observado na cabeça de seres humanos acometidos pelo Alzheimer. O macaco de 9 anos, o mais jovem do grupo, não tinha qualquer alteração, enquanto os mais velhos, de 29 e 33 anos, apresentavam as mudanças típicas da enfermidade, como a inflamação e o acúmulo de proteínas danosas. Na natureza, um macaco-prego tem uma expectativa de vida de 34 a 36 anos. Já em cativeiro, ele pode viver até os 55. Em resumo, esse tipo de demência é marcado por duas etapas principais. Primeiro, ocorre o acúmulo da proteína beta-amiloide na parte externa dos neurônios. Segundo, a proteína TAU passa a ser estocada no interior dessas células. Todo esse processo é prejudicial e provoca a morte dessas unidades cerebrais. Aos poucos, conforme esse quadro evolui, o indivíduo começa a perder as memórias e a capacidade de raciocinar. Até o momento, os remédios disponíveis atuam apenas em alguns sintomas específicos da demência e não são capazes de frear a progressão dos sintomas.
Há apenas uma droga aprovada recentemente nos EUA que mostrou-se capaz de "limpar" a beta-amiloide do cérebro, com uma possível melhora cognitiva do paciente — mas ela custa caro e está restrita a casos iniciais, quase assintomáticos, cujo diagnóstico é bem difícil. Chamada de lecanemabe (dos laboratórios Eisai e Biogen), essa medicação ainda não está liberada no Brasil. Por muito tempo, os cientistas acreditavam que o Alzheimer, com todo o pacote de deterioração cerebral envolvido, era uma doença exclusiva de seres humanos. Mas, recentemente, foram publicados trabalhos que desbancaram essa ideia. Hoje em dia, sabe-se que os chimpanzés também desenvolvem o quadro, assim como os macacos-prego-amarelos, como revelou o estudo de USP e UnB. Também foram observados agregados de proteína TAU em lêmures-ratos (Microcebus, um tipo de primata de Madagascar) e emaranhados neurofibrilares típicos dessa demência em macacos rhesus (Macaca mulatta) e vervet (Chlorocebus pygerythrus).
Adeptado.Fonte:BBC Brasil. disponível em (https://www.bbc.com/portuguese/articles/o72)99y)7xpo),
A partir da leitura do texto "O que cérebro de macacos-prego revela sobre o Alzheimer", responda a questão a seguir:
- ao surgimento de sintomas físicos do Alzheimer, tanto em macaco-prego quanto em ser humano.
- à perda de memória e de raciocínio no cérebro de seres afetados.
- ao aumento da atividade proteica em todo o cérebro e nas células nervosas.
- à perda de células nervosas e células do cérebro.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa indica corretamente que o Alzheimer culmina na perda de células nervosas e, consequentemente, na redução do tecido cerebral.
No texto, essa perda decorre do acúmulo patológico de proteínas: a beta-amiloide se deposita fora dos neurônios e a TAU se acumula no interior celular. Essas alterações provocam disfunção sináptica, inflamação e prejuízo metabólico, que progridem até a morte neuronal.
Quando neurônios morrem, as redes responsáveis por memória e raciocínio ficam comprometidas, explicando os esquecimentos e dificuldades cognitivas observados nas fases avançadas.
O estudo com macacos-prego-amarelo relatado no texto encontrou esses marcadores em indivíduos idosos, corroborando que o processo descrito leva à perda de células do cérebro e aos sintomas associados.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em