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VIRGINIA NORWOOD, 'A MÃE' DOS SATÉLITES LANDSAT QUE REVOLUCIONARAM A OBSERVAÇÃO DA TERRA VISTA DO ESPAÇO Quando Virginia T. Norwood cursava o Ensino Médio, uma conselheira vocacion

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBAM · 2023

VIRGINIA NORWOOD, 'A MÃE' DOS SATÉLITES LANDSAT QUE REVOLUCIONARAM A

OBSERVAÇÃO DA TERRA VISTA DO ESPAÇO

 

Quando Virginia T. Norwood cursava o Ensino Médio, uma conselheira vocacional recomendou que ela seguisse a carreira de bibliotecária.

 

1. A adolescente tinha outras ideias e candidatou-se a uma vaga em uma das universidades de maior prestígio dos Estados Unidos para estudar física e matemática. Hoje com 95 anos, Norwood desafiou barreiras e preconceitos para tornar-se uma engenheira visionária, respeitada pelos seus projetos inovadores e sua capacidade de resolver problemas. Uma de suas criações mais famosas é o instrumento que possibilitou, em 1972, o lançamento do primeiro satélite do programa Landset, que observa a Terra de forma contínua. Meio século depois, os satélites Landset continuam fornecendo dados valiosos sobre o desmatamento, expansão de cidades e retrocesso de glaciares, entre muitos outros.

 

2. Desde pequena, ela gostava de jogos de lógica - um interesse que ela compartilhava com seu pai, que era oficial do exército. Foi do pai que ela ganhou, com nove anos de idade, sua primeira régua de cálculo. "Não consigo recordar nenhum momento em que os números não me fascinaram", afirma Norwood. "No primeiro ou segundo ano, quando aprendi a subtrair, vi que meu pai subtraía de forma diferente e o fato de que havia diferentes formas de pensar sobre a subtração me chamou muito a atenção." Logo depois do ensino médio, em 1944, Norwood entrou no Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês). Naquela época, não havia dormitórios femininos no campus universitário. As mulheres só podiam almoçar nas residências estudantis se fossem convidadas por alunos masculinos. Mas essas limitações não reduziram o entusiasmo de Norwood pelo aprendizado. Ela se formou no MIT com 20 anos de idade. No dia seguinte à sua graduação, a jovem casou-se com Larry Norwood, presidente do clube de matemática do MIT e estudante de pós-graduação da Universidade Yale, nos Estados Unidos. O desafio seguinte para a jovem seria encontrar trabalho. E ela logo se deparou com os obstáculos enfrentados por muitas outras mulheres.

 

3. Na Hughes Aircraft, Norwood era a primeira e única mulher entre os mais de 2 mil funcionários do departamento técnico. "Quando um membro do grupo de projeto de antenas da Hughes Aircraft Company preferiu sair da empresa a "reportar-se a uma mulher", lembro que isso me deixou surpresa, mas não ofendida", ela conta. "O que mais me surpreendeu foi que ele logo pediu para voltar." "Depois disso eu era a opção óbvia para dirigi-lo", ela conta, "mas me disse que 'não estava disposto a nomear uma mulher chefe de departamento'." "Isso me afetou tanto que procurei outra função dentro da Hughes. Deixei completamente a seção de mísseis e radar e entrei no novo grupo de espaço e comunicações, o que acabou sendo excelente para mim", prossegue Norwood. "Por isso, em algumas vezes, essas dificuldades acabaram sendo oportunidades." Apesar das dificuldades, Norwood encontrou um ambiente propício para inovar na Hughes Aircraft. Mas como ela encontrava inspiração para seus projetos? "Realmente não consigo explicar o processo criativo. As pessoas vêm tentando explicar este processo há muito tempo", afirma ela. "Posso dizer que a Hughes Aircraft Company criou as condições para esse processo criativo. Eles me deixavam sozinha para pensar. Eu tinha colegas que podia consultar se precisasse, mas ninguém me perturbava e meus chefes não me controlavam demais", segundo Norwood.  

 

4. A Hughes Aircraft tinha inúmeros contatos com a Nasa e Norwood projetou o transmissor da sonda Surveyor, que enviou imagens da superfície da Lua como preparação para as futuras missões Apolo. Mas um dos seus maiores desafios chegou quando a Nasa e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) propuseram-se a lançar um satélite para monitorar continuamente a Terra. Para captar e transmitir imagens do nosso planeta a partir do espaço, a Nasa preferia o uso de um sistema chamado RBV, que já havia sido comprovado em satélites climáticos. Mas Norwood propôs outra solução: um sistema de scanner multiespectral (MSS, na sigla em inglês), que transmitiria as informações para a Terra de forma digital. Depois de um ano de discussões, a Nasa decidiu levar os dois sistemas a bordo do satélite Landsat 1 e forneceu a Norwood um orçamento de US$ 100 mil (R$530 mil, em valores atuais) para desenvolver um protótipo. O scanner também ocuparia um espaço reduzido no satélite. "O RBV foi o instrumento principal do Landsat 1 e, por isso, Virginia Norwood recebeu apenas 48 kg e 0,21 m3 de volume para projetar seu instrumento", destacou à BBC News Mundo o cientista argentino Roberto Alemán, do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa. Alemán trabalhou como gerente de observações do satélite Landsat 9 até abril de 2022.

 

5. Norwood recorda que muitas pessoas da Nasa e do USGS "eram muito céticos, especialmente no início do processo, quando eu precisava garantir constantemente às pessoas que o MSS funcionaria e que os dados seriam valiosos". O ceticismo era tão grande que, para convencer os críticos, Norwood decidiu que sua equipe faria um experimento em terra. Eles carregaram um protótipo do MSS na parte traseira de um caminhão e fizeram imagens de locais simbólicos da Califórnia. Uma dessas imagens - o Meio Domo, uma famosa cúpula de granito no Parque Nacional de Yosemite - hoje é para Norwood "uma recordação de como fiquei encantada e feliz quando o protótipo enviou esses testes em terra com grande sucesso".

 

Adaptado. Fonte: BBC Brasil. Disponível em [https://www.bbc.com/portuguese/geral-

63962241]. Publicado em 31.12.2022 e consultado em 09.1.2023.

 

É possível afirmar que um dos principais fatores que influenciaram Norwood a escolher estudar física e matemática foi:

  1. a influência exercida pelo exército, local onde seu pai trabalhava e que trouxe a ela grande admiração pelos estudos em ciências exatas.
  2. recentes programas universitários de incentivo às mulheres na busca de carreiras acadêmicas em áreas tecnológicas.
  3. a bolsa de estudos que recebeu na época do MIT, que abriu portas aos estudos tecnológicos avançados em ciências exatas.
  4. a influência de seu pai, com quem teve contato com outras formas de lidar com a matemática desde pequena.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa D está correta porque o texto atribui diretamente ao pai de Norwood papel determinante em seu interesse pelas ciências exatas.

Fica explícito que, ainda criança, ela compartilhava com o pai o gosto por jogos de lógica e que ele lhe deu, aos nove anos, sua primeira régua de cálculo. "Foi do pai que ela ganhou, com nove anos de idade, sua primeira régua de cálculo."

Esses elementos evidenciam um contato precoce com instrumentos e modos alternativos de raciocínio matemático, como a observação de diferentes formas de subtrair, o que estimulou seu interesse.

Portanto, com base no próprio relato presente no texto, a influência do pai é fator plausível e explícito para justificar a escolha de Norwood por física e matemática.

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