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Questão FC552382

TEXTO 3 - VITRINES As vitrines são vitrines Sonhos guardados perdidos Em claros cofres de vidro Um astronauta risonho Como um boneco falante Numa pequena vitrine De plástico transp

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBAM · 2023

TEXTO 3 - VITRINES

 

As vitrines são vitrines Sonhos guardados perdidos Em claros cofres de vidro

Um astronauta risonho Como um boneco falante Numa pequena vitrine De plástico transparente Uma pequena vitrine A escotilha da cabine

Mundo do lado de fora Do lado de fora, a ilha A ilha terra distante Pequena esfera rolante A terra bola azulada Numa vitrine gigante

O cosmonauta, a vitrine No cosmos de tudo e nada De éter de eternidade De qualquer forma vitrine Tudo que seja ou que esteja Dentro e fora da cabine Éter, cosmo, nave, nauta Acoplados no infinito Uma vitrine gigante Plataforma de vitrines

Eu penso nos olhos dela Atrás das lentes azuis Dos óculos encantados Que ela viu numa vitrine Óculos que eu dei a ela Num dia de muita luz

Os óculos são vitrines Seus olhos azuis, meu sonho Meu sonho de amor perdido Atrás de lentes azuis Vitrines de luz, seus olhos Infinitamente azuis

 

Gilberto Gil

 

Vitrines é uma das música de Gilberto Gil que crítica um modelo incipiente de sociedade no Brasil no século XX. A faixa está no álbum Cérebro eletrônico, lançado em 1969.

 

O primeiro verso da canção "As vitrines são vitrines", dentro do contexto da música, indica que as vitrines são:

  1. sonhos de consumo.
  2. elementos importantes do sistema capitalista.
  3. meios de produção do sistema capitalista.
  4. referência à propriedade privada.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A frase inicial da canção aponta as vitrines como sonhos de consumo.

Ao repetir e transformar imagens de objetos e personagens em pequenas “vitrines”, a letra sugere que os produtos não são apenas coisas, mas projeções de desejo e fantasia.
As mercadorias aparecem como cofres de vidro que prendem e exibem sonhos, criando distância entre o sujeito e o objeto.

Essa representação evidencia a função simbólica da vitrine: despertar aspirações, tornar visíveis possibilidades de consumo e tematizar o olhar do comprador como espaço de fruição imaginária.

Portanto, interpretar o verso como indicação de sonhos de consumo é reconhecer a crítica poética à mercantilização dos desejos presente na canção.

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