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Questão FC552398

Texto III - TRAGÉDIA BRASILEIRA Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade. Conheceu Maria Elvira na Lapa - prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empen

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBAM · 2023

Texto III - TRAGÉDIA BRASILEIRA

 

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade.

 

Conheceu Maria Elvira na Lapa - prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.

 

Misael tirou Maria Elivra da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médio, dentista, manicure... Dava tudo quanto ela queria.

 

Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.

 

Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.

 

Viveram três anos assim.

 

Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos....

 

Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

 

(BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro. Aguilar, 2009, pp. 135-136)

 

O texto III narra a história de dois personagens: Misael e Maria Elvira. Apesar de ser um texto narrativo, há nele expressão jornalística comum a reportagens policiais. A alternativa que contempla essa expressão é:

  1. "privado de sentidos e de inteligência"
  2. "com sífilis"
  3. "em decúbito dorsal"
  4. "dermite nos dedos"
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A expressão em decúbito dorsal é um termo médico-forense que significa, em linguagem corrente, deitada de costas.

Trata-se de uma formulação impessoal e técnica usada em laudos, boletins e reportagens policiais para descrever a posição do corpo sem recorrer a imagens sentimentais.

No trecho final do poema, a escolha dessa locução soa neutra e objetiva, como a linguagem de um registro pericial, o que aproxima o narrador do estilo jornalístico policial.

Por isso essa expressão marca a presença de um vocabulário técnico e factual, típico de relatos policiais e de enunciados forenses.

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