Questão FC552418
FAZ SENTIDO NÃO TER FILHOS DEVIDO À CRISE CLIMÁTICA? 4 PONTOS PARA REFLETIR Em 2009, o estatístico Paul Murtaugh e o cientista climático Michael Schlax calcularam que ter apenas um
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2023
FAZ SENTIDO NÃO TER FILHOS DEVIDO À CRISE CLIMÁTICA? 4 PONTOS PARA REFLETIR
Em 2009, o estatístico Paul Murtaugh e o cientista climático Michael Schlax calcularam que ter apenas um filho em um país com altas emissões, como os Estados Unidos, acrescentaria cerca de 10 mil toneladas de CO2 à atmosfera. Isso é cinco vezes as emissões que um pai ou uma mãe produz, em média, em toda a sua vida.
A razão pela qual esse número é tão grande é porque os filhos provavelmente terão filhos, perpetuando as emissões por muitas gerações.
De acordo com um argumento proeminente de 2002, devemos pensar na procriação em analogia ao consumo excessivo. Assim como o consumo excessivo, a procriação é um ato no qual você conscientemente provoca mais emissões de carbono do que é ético. Se condenarmos o consumo excessivo, deveríamos ser consistentes e desaprovar a procriação também.
Dado o potencial impacto climático de se ter um único filho, alguns especialistas em ética argumentam que existem limites éticos sobre o tamanho que nossas famílias devem ter. Tipicamente, eles propõem que não devemos ter mais de duas crianças por casal, ou talvez não mais de uma. Outros até argumentaram que, nas circunstâncias atuais, pode ser melhor não ter filhos.
Essas ideias ganharam força por meio dos esforços de grupos ativistas, como o movimento BirthStrike e a instituição de caridade britânica Population Matters.
Os eticistas climáticos concordam amplamente que a crise climática não tem precedentes e exige que repensemos o que possa ser eticamente exigido dos indivíduos. Mas propor limites éticos ao tamanho de uma família parece desagradável para muitos devido a uma série de preocupações.
Martin Sticker e Félix Pinkert. Disponível em [https://revistagalileu.globo.com/sociedade/comportamento/noticia/ 2023/08/faz-sentido-nao-ter-filhos-devido-a-crise-climatica-4-pontos-para-refletir.ghtml]. Consultado em 30.8.2023.
"De acordo com um argumento proeminente de 2002, devemos pensar na procriação em analogia ao consumo excessivo."
Assinale a alternativa que apresenta uma interpretação correta para este excerto.
- Um argumento decisivo de 2002 determinou que devemos priorizar a procriação em detrimento do consumo excessivo.
- O consumo excessivo, de acordo com um importante argumento de 2002, por analogia, leva à humanidade a refrear seus instintos de procriação.
- Se considerado um relevante argumento de 2002, a procriação deve ser pensada segundo as relações de semelhança com o consumo excessivo.
- Segundo um destacado argumento de 2002, se compararmos o consumo excessivo e a procriação concluiremos que o aumento de um acarreta, inexoravelmente, o arrefecimento do outro.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Enunciado: a alternativa sustenta que, se aceitarmos um argumento relevante de 2002, devemos olhar para a procriação por meio de uma analogia com o consumo excessivo.
Isso significa que a procriação é comparada ao ato de consumir em excesso porque ambos são escolhas humanas que aumentam as emissões de carbono. Na analogia, ter filhos é visto como um comportamento que gera efeitos climáticos acumulativos, assim como consumo acima do necessário.
A conclusão prática é de caráter ético: exigir consistência ética. Se condenamos o consumo excessivo por causar danos ambientais, a analogia sugere que também deveríamos reavaliar a moralidade de ter muitos filhos e considerar limites justificáveis ao tamanho das famílias.
O “se considerado” indica que a validade dessa interpretação depende da aceitação daquele argumento de 2002; trata-se de um paralelo argumentativo, não de uma prova definitiva.
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