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O FEMINISMO CONTRA AS MULHERES Há algo de podre no reino do feminismo. Na última década, o movimento vem promovendo vitimização, em vez de estimular força e autonomia. São cada vez

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBAM · 2023

O FEMINISMO CONTRA AS MULHERES

Há algo de podre no reino do feminismo. Na última década, o movimento vem promovendo vitimização, em vez de estimular força e autonomia. São cada vez mais comuns casos de mulheres que expõem abusos nas redes sociais. A onda de denúncias começou_ com o movimento Me Too, que escancarou práticas nefastas de assédio e agressão sexual na indústria do cinema americano

   

 Mas tal estratégia, então legítima, perdeu foco e função pelo caminho.

 

Desentendimentos comuns na vida de qualquer casal ganham status de relacionamento tóxico; paquera vira assédio; a traição do marido é violência emocional; e sexo ruim pode ser até estupro.

 

Além do problema legal óbvio de se acusar inocentes (muitas já tiveram que responder por isso na Justiça), o estímulo ao denuncismo está fragilizando as mulheres.

 

Em "The Coddling of the American Mind", o jornalista Greg Lukianoff e o psicólogo Jonathan ,Haidt mostram três pressupostos falaciosos do movimento identitário: todas as pessoas são frágeis; a crença exagerada no aspecto emocional (o sentimento acima da razão);e a batalha de um ''nós" contra "eles" (na verdade, do bem contra o mal).

 

O resultado é uma visão de mundo vitimista, paranoica e catastrofista que, em vez de ser criticada, é valorizada. Há uma espécie de masoquismo moral recompensado por curtidas nas redes sociais.

 

Estamos ensinando jovens mulheres a procurar agressão onde nem sempre há, a se sentirem virtuosas por sofrerem e a acharem que a exposição é uma boa estratégia de combate ao machismo -ademais, acaba-se menosprezando a dor daquelas que de fato foram violentadas.

 

Não devemos aceitar táticas perniciosas e contrárias a evidências cientificas em nome de uma causa.

   

Como disse Camille Paglia: "Primeiro, sou uma intelectual, e depois feminista". O compromisso com a busca da verdade é não só um imperativo ético, mas exemplo de força e autonomia -que o femm1smo atual tem feito questão de solapar.

 

Analise as proposições a seguir.

 

I. A autora avalia que movimentos como o Me Too, a despeito de legítimos, acabaram por provocar práticas nefastas de agressão sexual e assedio não restritos aos membros da cinematográfica americana.

 

II. Lygia Maria pondera sobre a fragilização das mulheres em função do "denuncismo" e ainda alerta sobre o risco de que tal comportamento possa promover a acusação de inocentes.

 

III. Greg Lukianoff e Jonathan Haidt entendem que o movimento identitário está calcado em três pressupostos que consideram falsos, a saber: a Ideia de que todas as pessoas são frágeis, a exacerbação do aspecto emocional, colocando o sentimento acima da razão e uma pretensa batalha do "nós" contra eles, entendida, equivocadamente, como um duelo entre o bem e o mal.

 

IV. A intelectual Camile Paglia, por seu turno, destaca a importância do feminismo moderno e nesse sentido, minimiza, em um primeiro momento, o compromisso com a verdade que, entende, tem sua importância relativizada diante das situações de abuso contra a mulher perpetradas ao longo da história humana.

 

Podemos considerar deduções possíveis da leitura do texto o asseverado em:

  1. apenas uma proposição.
  2. apenas duas proposições.
  3. apenas três proposições.
  4. todas as proposições apresentadas.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa B está correta: da leitura decorrem apenas duas proposições claramente sustentadas pelo texto, correspondentes às proposições II e III.

Sobre II: a autora afirma explicitamente o “problema legal óbvio de se acusar inocentes” e que o estímulo ao “denuncismo” tem fragilizado as mulheres. Essas ideias aparecem de forma direta e conectada no corpo do texto, garantindo a dedução.

Sobre III: o texto cita a obra de Greg Lukianoff e Jonathan Haidt e reproduz os três pressupostos falaciosos do movimento identitário: (1) todas as pessoas seriam frágeis; (2) primazia do emocional sobre a razão; (3) a polarização “nós” versus “eles” como disputa entre bem e mal. A transcrição dessas teses torna a proposição dedutível.

Portanto, apenas as duas proposições acima se apoiam diretamente nas afirmações textuais.

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