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Questão FC552533

Você, leitor, é a favor dos casamentos arranjados ou prefere aqueles nos quais os noivos escolhem livremente quem irão desposar? E quanto à posição da mulher? Acha que elas devem s

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBAM · 2021

CASAMENTO E DESIGUALDADE

 

Precisamos combater a desigualdade e suas causas, diz o manual do bom cidadão contemporâneo. Concordo que a desigualdade vêm produzindo uma série de complicações, que exigem enfrentamento, mas o mesmo não se estende automaticamente às suas causas, que podem ser moralmente inatacáveis.

 

Você, leitor, é a favor dos casamentos arranjados ou prefere aqueles nos quais os noivos escolhem livremente quem irão desposar? E quanto à posição da mulher? Acha que elas devem se contentar em ser rainhas do lar ou pensa que devem estudar e participar do mercado de trabalho, assegurando assim sua independência econômica?

 

Se você não for um conservador anacrônico, deve ter se posicionado pelas uniões livres, cujo nome técnico é casamento assortativo, e pela emancipação feminina. Pois bem, a combinação desses elementos é causa importante de desigualdade. Nos EUA ela respondeu por nada menos do que um terço do aumento de desigualdade registrado entre 1967 e 2013.

 

Não é difícil ver como a concentração de renda ocorre. Antigamente, era baixa a correlação entre O nível educacional e econômico dos parceiros de uma união. A partir do pós-guerra, as mulheres foram se tornando mais presentes nas universidades, onde, gozando de maior liberdade para definir seus relacionamentos, passaram a namorar colegas estudantes e casar-se com eles.

 

Ora, quem faz uma universidade tende a conquistar empregos com melhores salários. E, quando os dois parceiros de uma união matrimonial estão no topo, essa família se torna bem mais rica do que as outras, vantagem essa que tende a ser transmitida para a próxima geração, na forma de pesados investimentos educacionais e culturais nos filhos, que conhecerão seus parceiros nas universidades de elite e repetirão o ciclo.

 

Temos aí um problema, mas sua solução não passa pela volta dos casamentos arranjados.

 

Hélio Schwartsman. Jornal “Folha de São Paulo”, edição de 2/2/2020.

Segundo a análise do autor, um dos fatores que justificam o aumento da desigualdade econômica e da concentração de renda:

  1. é fato de muitas mulheres haverem abandonado a faculdade no período pós-guerra, o que aprofundou o abismo econômico entre os gêneros.
  2. deriva das lutas pela emancipação feminina que se desenrolaram entre 1967 e 2013 e acabaram por provocar grandes perdas econômicas.
  3. foi produto da conquista de melhores empregos e salários pelas mulheres que abdicaram da instituição casamento em prol de suas carreiras.
  4. teve por um de seus pilares a união matrimonial de parceiros que apresentavam correlação em seus níveis educacionais e econômicos.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa aponta que um dos motores da desigualdade foi a formação de uniões em que parceiros exibiam correlação nos níveis educacionais e econômicos. Em outras palavras, pessoas com similar escolaridade e renda passaram a casar entre si, concentrando recursos em famílias já favorecidas.

Quando ambos os cônjuges têm maior escolaridade e melhores salários, a concentração de renda familiar aumenta, elevando significativamente o padrão de vida desse grupo em relação aos demais.

Além disso, essa vantagem tende a se perpetuar por meio da transmissão intergeracional: investimentos educacionais, redes de contato e capital cultural dos pais favorecem filhos que, por sua vez, repetem o ciclo, ampliando a desigualdade ao longo de gerações.

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