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Questão FC552536

DEIXA O ALFREDO FALAR! A arte brasileira da conversa não é de fácil aprendizado. Como toda arte, exige antes de mais nada uma verdadeira vocação. E essa vocação se aprimora ao long

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBAM · 2021

DEIXA O ALFREDO FALAR!

 

A arte brasileira da conversa não é de fácil aprendizado. Como toda arte, exige antes de mais nada uma verdadeira vocação. E essa vocação se aprimora ao longo do caminho que vai da inocência à experiência. Como em toda arte.

 

Distinga-se: quando falo em conversa, não estou me referindo à lábia, à astúcia, à solércia do brasileiro no passar a bicaria e vender o seu peixe. Falo precisamente no bate-papo, erigido numa das mais requintadas instituições nacionais.

 

Mas por que arte brasileira? Os outros povos acaso não batem papo? A própria expressão, brasileiríssima, corresponde em inglês exatamente ao verbo “to chat.” Até os ingleses, meu Deus, os ingleses têm também o seu papo: um deles, na mesa do bar, olha para fora e diz que vai chover; meia hora depois outro diz que não vai chover; meia hora depois o terceiro se retira dizendo que não gosta de discussão. A falta de graça desta velha anedota não está em ser velha, mas na finalidade útil que fez murchar o papo. Este não deve ter finalidade alguma, senão a de matar o tempo da melhor maneira possível. É coisa de latino em geral e de brasileiro em particular: fazer da conversa não um meio, mas um fim em si mesmo. Se não me engano, essa é a distância que separa a ciência da arte.

 

No papo bem batido, a discussão não passa de uma motivação, sem intuito de convencer ninguém, nem de provar que se tem razão. Os que nela se envolvem devem estar sempre prontos a reconhecer, no íntimo, que poderiam muito bem passar a defender o ponto-de-vista oposto, desde que os que O defendem fizessem o mesmo. Os temas devem ser de uma apaixonante gratuidade, a ponto de permitir que, no desenrolar da conversa, de súbito ninguém mais saiba o que se está discutindo. Mesmo nas eternas discussões sobre mulher, religião ou futebol, para que se constituam em bate-papo, longas digressões hão de ser admitidas, desde que pertinentes.

 

Compilado e adaptado. Crônica de Fernando Sabino.

No último parágrafo do texto o autor assevera que para que se constituam em bate-papo, digressões podem ser admitidas, desde que pertinentes, ou seja:

  1. em alguns momentos a melhor coisa a se fazer é iniciar um novo assunto, renunciando-se ao tema que deu início à conversa.
  2. é permitido que nos afastemos do assunto que ensejou a conversa por alguns momentos, desde que os novos temas abordados apresentem pertinência com o primeiro.
  3. o aprofundamento do assunto que deu mote à conversa jamais deverá ser deixado de lado.
  4. podemos desenvolver discussões paralelas durante um bate-papo, com a ressalva de que os novos temas deverão abordar aspectos diversos o inicialmente abordado.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa correta afirma que é permitido nos afastarmos do assunto inicial por alguns momentos, desde que os novos temas mantenham pertinência com o primeiro. Essa formulação reproduz diretamente a ideia do texto quando afirma que "longas digressões hão de ser admitidas, desde que pertinentes".

No discurso do autor, o bate-papo valoriza a gratuidade e a liberdade de circulação entre temas, mas não a fragmentação sem nexo. Pertinência aqui significa haver uma relação ou um vínculo lógico, afetivo ou temático que justifique a digressão.

Portanto, a alternativa captura a nuance central: a conversa pode desviar-se temporariamente do mote inicial, porém essas incursões só são compatíveis com o espírito do bate-papo se guardarem alguma conexão com o assunto que o originou.

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