Questão FC552544
Cuidar dos rins num cenário de aquecimento global exige as mais variadas ações, que vão desde atitudes simples até políticas públicas complexas. Um estudo que analisou dados de xen
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2021
Cuidar dos rins num cenário de aquecimento global exige as mais variadas ações, que vão desde atitudes simples até políticas públicas complexas.
Um estudo que analisou dados de xentenas de cidades brasileiras ao longo de 16 anos sugere que o aumento de 1 grau Celsius na temperatura média pode elevar em quase 1% o risco de internações por doenças que afetam os rins. Esse estudo foi feito pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade Monash, da Austrália e avaliou os registros de saúde de 1.816 cidades brasileiras entre 2000 e 2015.
No período, foram registradas mais de 2,7 milhões de internações relacionadas a problemas nesses órgão, como pielonefnte ( um tipo de inflamação), falência renal aguda e doença renal crônica. O trabalho, recém-publicado no período especializado The Lancet Regional Health - Américas, sugere que 7,4% de todas essas internações, ou 202 mil casos de crise real, podem ser atribuídas diretamente ao aumento da temperatura.
Embora o estudo seja de associação e não permita estabelecer uma relação direta de causa e efeito, os autores especulam algumas possíveis explicações para a ligação entre aumento da temperatura e mais doenças nos rins. "De forma geral, os problemas renais podem acontecer por causa da desidratação , que está relacionada ao aumento na temperatura", explicam os médicos Yuming Guo e Shanshan Li, professores de saúde ambiental e saúde pública da Universidade Monash e autores principais do artigo.
A mecánica é relativamente simples: no calor, o suor ajuda a manter a temperatura corporal estável. Mas a perda de líquidos pode dificultar o trabalho dos rins, que sofrem para cumprir a sua missão de filtrar o sangue e manter o equilíbrio de diversas substâncias essenciais para nossa sobrevivência. Esses órgãos, então, podem passar por crises agudas e deixam de funcionar como deveriam ou sofrem com infecções e inflamações decorrentes de todo esse desgaste.
O trabalho recém-publicado ainda observou que a saúde renal de alguns grupos acaba mais afetada pelo aumento da temperatura. Os que mais sofrem com a subida do calor são as mulheres, as crianças com menos de 4 anos e os idosos com mais de 80 anos. Para o patologista Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos cientistas brasileiros que assinam o estudo, dois fatores ajudam a explicar essa maior vulnerabilidade, especialmente nos extremos de vida. "Indivíduos muito jovens ou muito idosos costumam ter o 'termostato' do corpo, que envolve receptores na pele responsáveis por perceber o calor, imaturo ou desregulado. Com isso, o organismo não aciona muito bem os mecanismos que regulam a temperatura", afirma.
Além disso, é necessário ofertar água continuamente para pessoas dessas faixas etárias, pois a percepção de sede é diferente e se modifica ao longo da sua vida. Sem a vontade de beber água (ou sem a possibilidade de pegar um copo por conta própria, no caso dos bebês), o risco de desidratação fica ainda mais alto. E essa sequência de características e particularidades dessas idades prejudica, mais uma vez, os rins.
Fonte: BBC Brasil, disponível em [https:/lwww.bbc.com/portugueselbrasil-59268767] publicado em 18.11.2021 e consultado em 25.11.2021. (Adaptado)
Selecione, a seguir, a alternativa que contém uma afirmação correta sobre as informações mais importantes do primeiro parágrafo.
- O risco de internações por doenças que afetam o rim é causa indireta para o aumento da temperatura, conforme o estudo mencionado.
- Mais de cem cidades do Brasil fornecem, direta ou indiretamente, dados para o estudo mencionado.
- Há um estudo feito por algumas universidades brasileiras que leva em consideração a frequência entre aumento da temperatura e aumento de doenças graves nos rins.
- Um estudo chegou à conclusão de que mais de cem cidades brasileiras podem apresentar aumento de internações por doenças renais nos próximos 16 anos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Centenas significa, no texto, plural de cem, isto é, um conjunto de cidades superior a cem. Assim, a expressão do primeiro parágrafo já indica claramente que o universo estudado ultrapassa a marca de uma centena, justificando a afirmação de que houve participação de mais de cem municípios.
Além disso, o próprio corpo do artigo detalha que os autores avaliaram registros de saúde de 1.816 cidades entre 2000 e 2015, confirmação numérica de que o total é muito maior que cem. Esse dado mostra que os municípios forneceram dados para a análise, seja por meio de bases públicas ou sistemas de informação municipais.
Portanto, a alternativa está correta porque a expressão inicial e o número informado no estudo comprovam que mais de cem cidades contribuíram com dados.
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