Questão FC552641
CRIANÇAS, CRUELDADE E JUSTIÇA Bullying é o comportamento agressivo, intencional e repetido contra alguém por conta de alguma característica ou situação peculiar. É um desequilíbrio
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2016
CRIANÇAS, CRUELDADE E JUSTIÇA
Bullying é o comportamento agressivo, intencional e repetido contra alguém por conta de alguma característica ou situação peculiar. É um desequilíbrio de poder que afeta, sobretudo crianças e adolescentes em escolas e em outros ambientes de convivência, mas que também inferniza a vida de adultos.
Por alguma razão psicológica, pessoas sentem prazer em humilhar, provocar sofrimento. Reunidas, multiplicam agressões verbais ou físicas contra quem se destaca pela diferença: obesidade, altura, pele, nariz, timidez, roupa. Filiação, raça, falta de habilidade para o esporte, aplicação nos estudos ou dificuldade de aprendizado também dão origem a maus-tratos, isolamento e depressão.
A internet amplia seus efeitos.
Aprendemos a nos defender de ondas de perseguição, mas traumas emocionais mais ou menos graves podem surgir, o que justifica a preocupação de pais e educadores com essa crueldade latente e estranha.
Pesquisas do IBGE revelam que 20,8% de alunos do ensino fundamental no Brasil, a maioria na faixa etária entre 13 e 15 anos, já praticaram ou praticam bullying nas escolas, mas a maioria (51% dos entrevistados) não consegue nem explicar suas atitudes. Entre os motivos mais citados para as perseguições está a aparência do corpo e do rosto. Declaram-se vítimas frequentes de zombaria e esculachas capazes de aborrecer 5,4% dos entrevistados. Os esporadicamente atingidos são 25.4%.
A solução para a vulnerabilidade infantil é familiar e educacional, não legislativa, mas diversos Estados e municípios já editaram_ leis supostamente redentoras sobre o assunto. Em vez de políticas públicas concretas e preventivas, nós nos empenhamos em criar diplomas legais ineficazes.
No Congresso, diversos projetos são discutidos para a superação mágica e formal do problema. "Intimidação sistemática", "intimidação escolar", "intimidação vexatória", "perseguição obsessiva ou insidiosa" são algumas das designações encontradas em português para a palavra inglesa.
Há projetos que sugerem campanhas nacionais de combate, orientação e esclarecimento. Outros pretendem criminalizar a conduta, estabelecendo penas que chegam a cinco anos de prisão.
Em tempos de redução da maioridade penal, é importante ter em vista que a patologia do bullying escolar só é caso de polícia em situações absolutamente extremas. O envolvimento da máquina judicial, burocrática, insensível e sem preparo pedagógico, é o caminho mais improdutivo e temerário.
Compilado de artigo de Luís Francisco Carvalho Filho, jornal Folha de São Paulo, edição de 01/08/2015.
Segundo pesquisa do IBGE:
- vinte vírgula oito por cento de alunos do ensino fundamental, na faixa etária entre 13 e 15 anos, foram vitimas de agressão em virtude do bullying nas escolas.
- cinquenta e um por cento dos alunos entrevistados que praticam o bullying não sabem explicar a razão de seu comportamento.
- cinco vírgula quatro por cento dos entrevistados foram perseguidos pela aparência de seu rosto.
- vinte e cinco vírgula quatro por cento das vítimas de bullying são atacadas diariamente por seus agressores.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Texto e referência: o enunciado cita pesquisa do IBGE: "20,8% de alunos do ensino fundamental [...] já praticaram ou praticam bullying nas escolas, mas a maioria (51% dos entrevistados) não consegue nem explicar suas atitudes."
Como interpretar: a expressão "a maioria" retoma o grupo que pratica ou praticou bullying. Assim, dos alunos que praticam bullying, 51% afirmam não saber explicar por que agem assim.
Em termos numéricos, isso significa que 51% desse subconjunto corresponde a \(0{,}208\times0{,}51\approx0{,}106\), ou seja, cerca de 10,6% do total dos entrevistados são praticantes que não conseguem explicar suas atitudes.
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