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Questão FC552664

Levando-se em conta o que foi declarado pela autora no quinto parágrafo- "deixo sempre aberto o espaço da exceção para ser realista e respeitando o fato de que para muitos os reméd

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBAM · 2014

REPOLHOS IGUAIS

Sempre me impressiona o impulso geral de igualar a todos ser diferente, sobretudo ser original, é defeito Parece perigoso E. se formos diferentes, quem sabe aqui e ali uma medicaçaozinha ajuda.

Alguém é mais triste? Remédio nele. Deprimido? Remédio nele (ainda que tenha acabado de perder uma pessoa amada, um emprego, a saúde.) . Mais gordinho? Dieta nele. Mais alto? Remédio na adolescência para parar de crescer . Mais relaxado na escola? Esse é normal. Mais estudioso, estudioso demais? A gente se preocupa, vai virar nerd (se for menina ,vai demorar a conseguir marido).

Não podemos, mas queremos tornar tudo homogêneo. meninas usam o mesmo cabelo, a mesma roupa, os mesmos trejeitos ; meninos, aquele boné virado. Igualdade antes de tudo , quando a graça, o poder, a força estão na diversidade. Narizes iguais, bocas iguais, sobrancelhas iguais, posturas iguais .

Não se pode mais reprovar crianças e jovens na escola, pois são todos iguais. Serão? É feio, ou vergonhoso, ter mais talento, ser mais sonhador, ter mais sorte, sucesso , trabalhar mais e melhor.

Vamos igualar tudo, como lavouras de repolhos. se passiveis iguais. E assim, com tudo o que pode ser controlado com remédios, nos tornamos uma geração medicada. Não todos - deixo sempre aberto o espaço da exceção para ser realista. e respeitando o fato de que para muitos os remédios são uma necessidade - . mas uma parcela crescente da população é habitualmente medicada.

Remédios para pressão alta, para dormir. para acordar, para equilibrar as emoções , para emagrecer, para ter músculos, para ter um desempenho sexual fantástico, para ter a ilusão de estar com 30 anos quando se tem 70 Faz alguns anos reina entre nós o diagnóstico de déficit de atenção para um número assustador de crianças .

Não sou psiquiatra. mas a esta altura de minha vida criei e acompanhei e vi muitas crianças mais agitadas, ou distraídas, mas nem por isso precisadas de medicação a torto e a direito. Fala-se, não sei em que lugar deste mundo louco, em botar Ritalina na merenda das escolas públicas. Tal fúria de igualitarismo esconde uma ideologia tola e falsa.

Se déssemos a 100 pessoas a mesmq quantidade de dinheiro e as mesmas oportunidades. em dois anos todas teriam destino diferente: algumas multiplicariam o dinheiro; outras o esbanjariam; outras o guardariam ; outras ainda o dedicariam ao bem (ou ao mal) alheio.

Então, quem sabe, querer apaziguar todas as crianças e jovens com medicamentos para que não estorvem os professores já desesperados por falta de estímulo e condições, ou para permitir aos pais se preocuparem menos , ou ajudar as babás enquanto os pais trabalham ou fazem academia ou simplesmente viajam, nem valerá a pena.

Teremos mais crianças e jovens aturdidos, crianças e jovens mais violentos e inquietos quando a medicação for suspensa. Bastam, para desatenção, agitação e tantas dificuldades relacionadas, as circunstâncias de vida atual.

Recentemente, uma pediatra experiente me relatou que a cada tantos anos aparecem em seu consultório mais crianças confusas, atônitas, agitadas demais. algumas apenas sofrendo por separações e novos casamentos. em que os filhos, que não querem se separar de ninguém, são puxados de um lado para o outro, sem casa fixa, um centro de referência , um casal de pais sempre os mesmos.

Quem as traz são mães ou pais em igual estado. Correrias, compromissos, ansiedade por estar na crista da onda , por participar e ser o primeiro, por não ficar para trás , por não ser ignorado, por cumprir os horários, as prescrições, os comandos, tudo o que tantas pressões sociais e culturais ordenam, realmente estão nos tornando eternos angustiados e permanentes aflitos.

Mudar de vida é difícil. Em lugar de correr mais, parar para pensar, roubar alguns minutos para olhar, contemplar, meditar, também é diflcil , pois é fugir do padrão . Então seguimos em frente, nervosos com nossos filhos mais nervosos. Haja psicólogo, psiquiatra e medicamento para sermos todos uns repolhos iguais

Lya Luft, disponivel em {http .llvejaabril.com.brlbloglricardo

-settiltema-livre//ya -luft-repo!hos- iguaisl], publicado em 1015/2014 , consultado em 18/10/2014.

" Remédios para pressão alta, para dormir, para acordar, para equilibrar as emoções, para emagrecer, para ter músculos, para ter um desempenho sexual fantástico, para ter a ilusão de estar com 30 anos quando se tem 70".

Levando-se em conta o que foi declarado pela autora no quinto parágrafo- "deixo sempre aberto o espaço da exceção para ser realista e respeitando o fato de que para muitos os remédios são uma necessidade"- podemos afirmar que para ela, considerando-se o rol elencado no trecho em epígrafe, remédios seriam aceitos para tratar a anomalia ou sintoma descrito em qual alternativa?

  1. Para pressão alta.
  2. Para ter um desempenho sexual fantástico.
  3. Para dormir e acordar.
  4. Para ter ilusão de estar com 30 anos, quando se tem 70.
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Gabarito

A

Comentário do professor

"deixo sempre aberto o espaço da exceção para ser realista e respeitando o fato de que para muitos os remédios são uma necessidade".

Ao afirmar isso, a autora admite que existem casos em que o uso de medicamentos é justificável: situações de necessidade médica, não meros desejos ou padrões sociais.

Entre os itens citados no trecho, pressão alta caracteriza uma condição clínica que pode comprometer órgãos e a vida, exigindo tratamento farmacológico para controlar riscos e prevenir complicações.

Logo, alinhando a ideia de exceção por necessidade com a existência de uma doença que requer tratamento, conclui-se que a autora aceita o uso de remédios para tratar pressão alta.

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