Questão FC552666
REPOLHOS IGUAIS Sempre me impressiona o impulso geral de igualar a todos ser diferente , sobretudo ser original, é defeito Parece perigoso E. se formos diferentes, quem sabe aqui e
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2014
REPOLHOS IGUAIS
Sempre me impressiona o impulso geral de igualar a todos ser diferente , sobretudo ser original, é defeito Parece perigoso E. se formos diferentes, quem sabe aqui e ali uma medicaçaozinha ajuda.
Alguém é mais triste? Remédio nele. Deprimido? Remédio nele (ainda que tenha acabado de perder uma pessoa amada, um emprego, a saúde.) . Mais gordinho? Dieta nele. Mais alto? Remédio na adolescência para parar de crescer . Mais relaxado na escola? Esse é normal. Mais estudioso, estudioso demais? A gente se preocupa, vai virar nerd (se for menina ,vai demorar a conseguir marido).
Não podemos, mas queremos tornar tudo homogêneo. meninas usam o mesmo cabelo, a mesma roupa, os mesmos trejeitos ; meninos, aquele boné virado. Igualdade antes de tudo , quando a graça, o poder, a força estão na diversidade. Narizes iguais, bocas iguais, sobrancelhas iguais, posturas iguais .
Não se pode mais reprovar crianças e jovens na escola, pois são todos iguais. Serão? É feio, ou vergonhoso, ter mais talento, ser mais sonhador, ter mais sorte, sucesso , trabalhar mais e melhor.
Vamos igualar tudo, como lavouras de repolhos. se passiveis iguais. E assim, com tudo o que pode ser controlado com remédios, nos tornamos uma geração medicada. Não todos - deixo sempre aberto o espaço da exceção para ser realista. e respeitando o fato de que para muitos os remédios são uma necessidade - . mas uma parcela crescente da população é habitualmente medicada.
Remédios para pressão alta, para dormir. para acordar, para equilibrar as emoções , para emagrecer, para ter músculos, para ter um desempenho sexual fantástico, para ter a ilusão de estar com 30 anos quando se tem 70 Faz alguns anos reina entre nós o diagnóstico de déficit de atenção para um número assustador de crianças .
Não sou psiquiatra. mas a esta altura de minha vida criei e acompanhei e vi muitas crianças mais agitadas, ou distraídas, mas nem por isso precisadas de medicação a torto e a direito. Fala-se, não sei em que lugar deste mundo louco, em botar Ritalina na merenda das escolas públicas. Tal fúria de igualitarismo esconde uma ideologia tola e falsa.
Se déssemos a 100 pessoas a mesmq quantidade de dinheiro e as mesmas oportunidades. em dois anos todas teriam destino diferente: algumas multiplicariam o dinheiro; outras o esbanjariam; outras o guardariam ; outras ainda o dedicariam ao bem (ou ao mal) alheio.
Então, quem sabe, querer apaziguar todas as crianças e jovens com medicamentos para que não estorvem os professores já desesperados por falta de estímulo e condições, ou para permitir aos pais se preocuparem menos , ou ajudar as babás enquanto os pais trabalham ou fazem academia ou simplesmente viajam, nem valerá a pena.
Teremos mais crianças e jovens aturdidos, crianças e jovens mais violentos e inquietos quando a medicação for suspensa. Bastam, para desatenção, agitação e tantas dificuldades relacionadas, as circunstâncias de vida atual.
Recentemente, uma pediatra experiente me relatou que a cada tantos anos aparecem em seu consultório mais crianças confusas, atônitas, agitadas demais. algumas apenas sofrendo por separações e novos casamentos. em que os filhos, que não querem se separar de ninguém, são puxados de um lado para o outro, sem casa fixa, um centro de referência , um casal de pais sempre os mesmos.
Quem as traz são mães ou pais em igual estado. Correrias, compromissos, ansiedade por estar na crista da onda , por participar e ser o primeiro, por não ficar para trás , por não ser ignorado, por cumprir os horários, as prescrições, os comandos, tudo o que tantas pressões sociais e culturais ordenam, realmente estão nos tornando eternos angustiados e permanentes aflitos.
Mudar de vida é difícil. Em lugar de correr mais, parar para pensar, roubar alguns minutos para olhar, contemplar, meditar, também é diflcil , pois é fugir do padrão . Então seguimos em frente, nervosos com nossos filhos mais nervosos. Haja psicólogo, psiquiatra e medicamento para sermos todos uns repolhos iguais
Lya Luft, disponivel em {http .llvejaabril.com.brlbloglricardo
-settiltema-livre//ya -luft-repo!hos- iguaisl], publicado em 1015/2014 , consultado em 18/10/2014.
"Haja psicólogo, psiquiatra e medicamento para sermos todos uns repolhos iguais."
No período apresentado:
- está implícita a aquiescência de Lya Luft no sentido de se promover a homogeneização social.
- Lya Luft lamenta não termos nem remédios, tampouco profissionais da área da psiquiatria em número suficiente para que se torne possivel a criação de uma sociedade mais igualitária.
- fica patente a desaprovação da autora no sentido de homogeneizar as pessoas, de modo geral.
- Lya Luft se rende às evidências de que, para o surgimento de uma sociedade mais justa e igualitária é necessário que nos transformemos no que ela chama de “repolhos iguais"
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Justificativa: a opção C é correta porque o período revela a desaprovação da autora quanto à tendência de tornar as pessoas homogêneas.
O enunciado "Haja psicólogo, psiquiatra e medicamento para sermos todos uns repolhos iguais" funciona como recurso irônico e exasperado, sintetizando a crítica ao uso massivo de medicação e intervenções para padronizar comportamentos e aparências.
Ao longo do trecho, a autora lista exemplos e exageros (remédios para tristeza, atenção, altura, emagrecimento, etc.) e utiliza a metáfora "repolhos iguais" para caricaturar essa busca por uniformidade. Esses elementos apontam para uma postura crítica, não para aprovação.
Portanto, fica patente que Lya Luft reprova a homogeneização social e cultural manifestada no texto.
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