Questão FC552678
O círculo perigosamente vicioso a que Gustavo Cerbasi faz alusão consiste na situação descrita em qual alternativa?
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2013
CHEGA DE PRECONCEITO CONTRA O LUCRO
Instituições sem fins lucrativos são criadas para aproveitar oportunidades de captação de recursos ou isenções de impostos, geralmente para alcançar uma causa social não atendida pelo Poder Público.
A causa e nobre. seja ela o assistencialismo, a educação ou os serviços a comunidades carentes. Com o crescimento desse setor, aumentam as solicitações para que a sociedade colabore com seus projetos de forma não remunerada, pois “não há fins lucrativos".
Há uma grave distorção nessa expectativa. Entidades sem fins lucrativos esperam que empresas forneçam seus produtos sem custo, assim como esperam que famílias sem dificuldades financeiras deixem de cuidar de seu futuro para amparar os fragilizados. Estamos criando uma insustentável cultura de tirar dos bem-sucedidos para assistir os desafortunados, como se o papel do lucro fosse ser distribuído à sociedade.
Empresas que geram resultados não deveriam dividi-Ios com os incapazes de erguer um negócio. Isso premia a incompetência. Somente quando os negócios produzem retornos maiores que o esperado (fruto do investimento em qualidade e tecnologia), os lucros excedentes podem virar filantropia.
Não é papel das empresas prestar serviços sem remuneração. O papel das empresas é prestar bons serviços, lucrar e investir seus lucros para que esses serviços sejam melhorados, mais empregos sejam gerados e mais impostos sejam pagos — essa é a ideia. Se o Estado é incapaz de fornecer a educação que ensine a pescar, cabe a ele usar sua arrecadação para sanar os problemas.
Quanto mais as famílias abrem mão de poupar para o futuro e praticam o assistencialismo, mais dependerão do governo para custear seu futuro. É um círculo perigosamente vicioso.
Quando me pedem para prestar um serviço sem fins lucrativos, subentendo que querem que eu trabalhe sem remuneração. Não faz sentido. Tenho fins lucrativos, com orgulho. Se meu trabalho cria valor, paguem o que ele vale. Quem não tem fins lucrativos é a instituição que contrata o serviço. não quem o presta.
Não ter fins lucrativos não deve credenciar ninguém a ser incompetente na captação de recursos. Prestar serviços para uma empresa sem fins lucrativos não deve ser uma caridade forçada. Lucrar, ou produzir resultados excedentes, é essencial para o crescimento de qualquer atividade. Devemos esperar das instituições competência técnica e gerencial para levantar fundos, administrar custos e pagar suas atividades sem corroer a capacidade produtiva da sociedade. Elas deveriam gerar resultados e reinvesti-Ios para que o atendimento a sua causa possa crescer. É tempo de lutar por mais profissionalismo nas causas sociais.
Gustavo Cerbasi, Publicado originalmente na Revista Época em 13/04/2013,
disponivel no site [maisdinheiracombr], consultado em 12/8/2013.
O círculo perigosamente vicioso a que Gustavo Cerbasi faz alusão consiste na situação descrita em qual alternativa?
- Quanto maiores os recursos empregados em prol do assistencialismo. maior o número de famílias que poupam para o futuro.
- Famílias que amem mão, de poupar, em nome de um assistencialismo sem futuro, acabam por assumir também o custeio das despesas do governo.
- Quanto mais se abdica de uma economia para o futuro. em nome do assistencialismo, mais se cria uma dependência do governo.
- A dependência que famílias carentes desenvolvem quando abrem mão de poupar para o futuro. é diretamente proporcional ao aumento do custeio dos programas assistencialistas do governo.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Letra C resume o ponto central do texto: quando as famílias deixam de poupar para o futuro em nome do assistencialismo, criam uma situação de fragilidade financeira individual que acaba sendo sustentada pelo Estado.
O autor explicita essa ideia: “Quanto mais as famílias abrem mão de poupar para o futuro e praticam o assistencialismo, mais dependerão do governo para custear seu futuro.” Essa frase mostra a relação causal proposta.
Na prática, a renúncia à formação de reservas faz com que necessidades futuras — educação, saúde, segurança econômica — pressionem o orçamento público. Com isso, aumenta-se a dependência do governo e a necessidade de políticas compensatórias.
Assim se configura o círculo perigosamente vicioso apontado pelo autor: menor poupança privada leva a maior demanda por intervenção estatal, o que reforça práticas que inibem a autossuficiência financeira.
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