Questão FC552679
CHEGA DE PRECONCEITO CONTRA O LUCRO Instituições sem fins lucrativos são criadas para aproveitar oportunidades de captação de recursos ou isenções de impostos, geralmente para alca
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBAM · 2013
CHEGA DE PRECONCEITO CONTRA O LUCRO
Instituições sem fins lucrativos são criadas para aproveitar oportunidades de captação de recursos ou isenções de impostos, geralmente para alcançar uma causa social não atendida pelo Poder Público.
A causa e nobre. seja ela o assistencialismo, a educação ou os serviços a comunidades carentes. Com o crescimento desse setor, aumentam as solicitações para que a sociedade colabore com seus projetos de forma não remunerada, pois “não há fins lucrativos".
Há uma grave distorção nessa expectativa. Entidades sem fins lucrativos esperam que empresas forneçam seus produtos sem custo, assim como esperam que famílias sem dificuldades financeiras deixem de cuidar de seu futuro para amparar os fragilizados. Estamos criando uma insustentável cultura de tirar dos bem-sucedidos para assistir os desafortunados, como se o papel do lucro fosse ser distribuído à sociedade.
Empresas que geram resultados não deveriam dividi-Ios com os incapazes de erguer um negócio. Isso premia a incompetência. Somente quando os negócios produzem retornos maiores que o esperado (fruto do investimento em qualidade e tecnologia), os lucros excedentes podem virar filantropia.
Não é papel das empresas prestar serviços sem remuneração. O papel das empresas é prestar bons serviços, lucrar e investir seus lucros para que esses serviços sejam melhorados, mais empregos sejam gerados e mais impostos sejam pagos — essa é a ideia. Se o Estado é incapaz de fornecer a educação que ensine a pescar, cabe a ele usar sua arrecadação para sanar os problemas.
Quanto mais as famílias abrem mão de poupar para o futuro e praticam o assistencialismo, mais dependerão do governo para custear seu futuro. É um círculo perigosamente vicioso.
Quando me pedem para prestar um serviço sem fins lucrativos, subentendo que querem que eu trabalhe sem remuneração. Não faz sentido. Tenho fins lucrativos, com orgulho. Se meu trabalho cria valor, paguem o que ele vale. Quem não tem fins lucrativos é a instituição que contrata o serviço. não quem o presta.
Não ter fins lucrativos não deve credenciar ninguém a ser incompetente na captação de recursos. Prestar serviços para uma empresa sem fins lucrativos não deve ser uma caridade forçada. Lucrar, ou produzir resultados excedentes, é essencial para o crescimento de qualquer atividade. Devemos esperar das instituições competência técnica e gerencial para levantar fundos, administrar custos e pagar suas atividades sem corroer a capacidade produtiva da sociedade. Elas deveriam gerar resultados e reinvesti-Ios para que o atendimento a sua causa possa crescer. É tempo de lutar por mais profissionalismo nas causas sociais.
Gustavo Cerbasi, Publicado originalmente na Revista Época em 13/04/2013,
disponivel no site [maisdinheiracombr], consultado em 12/8/2013.
Analise as considerações seguintes.
I. Não é papel do Estado, que é incapaz de fornecer educação, prestar serviços sem remuneração — essa função cabe às empresas.
II. Destinar resultados de lucros excedentes à filantropia é um prêmio à incompetência.
III. Empresas que não têm fins lucrativos devem ser credenciadas a captar recursos, pois isso é essencial para o crescimento de qualquer atividade.
São inferências possíveis a partir da leitura do texto o apresentado em:
- I e II, apenas.
- I e III. apenas.
- II e III, apenas.
- nenhuma das proposições.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa nenhuma das proposições é a correta porque o texto não corrobora integralmente as ideias apresentadas nas três sentenças.
O autor defende que o Estado deve usar a arrecadação para suprir lacunas sociais, e que não é papel das empresas prestar serviços sem remuneração; logo, não se afirma que o Estado deva ser substituído por empresas nessa função.
Quanto aos lucros excedentes, o texto admite que eles podem virar filantropia quando são fruto de desempenho superior, portanto não se identifica essa prática como mero prêmio à incompetência.
Por fim, o autor realça a necessidade de competência técnica e gerencial nas entidades sem fins lucrativos para captar recursos; não afirma que essas organizações precisem de credenciamento especial como condição única para crescer.
Esses pontos mostram que nenhuma das proposições corresponde fielmente ao conteúdo do texto.
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