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Questão FC552704

NO NATAL, PRESENTE DE GREGO Por mais que a gente questione o consumismo em torno da data, fica difícil passar um Natal em branco, sem presentes. A facilidade do 13° salário, os ape

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBAM · 2009

NO NATAL, PRESENTE DE GREGO

Por mais que a gente questione o consumismo em torno da data, fica difícil passar um Natal em branco, sem presentes. A facilidade do 13° salário, os apelos da mldia, o amigo oculto do trabalho e a força da tradição dão um empurrãozinho. O velho "garoto propaganda" do comércio, o Papai Noel, continua bombando, com todo o vigor, o aquecimento do comércio global. Diante de tanto apelo, como deixar uma criança sem receber o símbolo comercial da festa religiosa? E nem adianta tentar conscientizar os "baixinhos· sobre o apelo mercantil, com tantas Xuxas e outros programas de 1V abarrotados de comerciais com lançamentos voltados para eles.

Também, é praticamente inegociável tentar barganhar tais lançamentos por outro bem, como roupa, sapato, material escolar. No alto de seus oito anos, meu sobrinho Caio defende: "Quem gosta de ganhar esses presentes são os pais das crianças". E encerrou a conversa: "Criança quer mesmo brinquedo".

Mas que tal transformarmos esse ato em algo mais responsável? Num aspecto evoluímos muito. Há bem pouco tempo, a sociedade de consumo incentivava o lado bélico infantil desde os primeiros anos. Além de jogos de tabuleiros como War, Guerra nas Estrelas e outros, existiam as réplicas de armas. Nos anos 70 e 80, a indústria produzia brinquedos tão similares às armas reais que, muitas vezes, eram usados em assaltos de verdade. Quem, com mais de 30 anos, nunca ganhou um revólver, uma espingarda, uma metralhadora de brinquedo no Natal ou aniversário? Hoje, praticamente estão guardados no baú das lembranças de nossas infâncias. Felizmente, parece que a sociedade resolveu promover o "desarmamento infantil". Porém, por incrível que pareça, algumas lojas ainda vendem o produto. Não como antes, em destaques nas vitrines, mas escondidos, bem no fundinho, na expectativa de que um adulto menos responsável compre. É hora de avaliarmos se esse estabelecimento merece ou não a nossa clientela.

Mas não é este o único cuidado na escolha de um presente infantil. Muitas vezes não damos atenção aos avisos, nas embalagens, sobre a faixa etária à qual o produto é adequado. O erro pode resultar em brinquedos perigosos ou monótonos. Hoje, alguns têm até data de validade. Vale tentar saber também se a empresa fabricante é responsável do ponto de vista sócio-ambiental e de que matéria-prima é produzido o brinquedo.

O cuidado é importante porque estas noções, em muitos casos, não chegaram aos fabricantes e autoridades fiscalizadoras. Fico na dúvida: será que meus presentes podem causar algum dano físico, material ou até dependência? Quem me garante que, daqui alguns meses, o perigo não virá à tona? Há produtos que causam contaminação por mercúrio, imãs e pecinhas que soltam e podem ser engolidas e até causadores de dependência química.

E a pergunta entalada na nossa garganta que ninguém responde. Se estão ocorrendo tantos problemas, algo anda errado com o controle de qualidade, ou não foram feitas pesquisas suficientes antes de se colocarem os produtos no mercado. Além disso, também fica a impressão de discriminação de alguns fabricantes internacionais no processo de substituição do "brinquedo bomba". Repararem que sempre procuram postergar, em países como o Brasil, trocas imediatas realizadas na Europa ou Estados Unidos. Alega-se necessidade de novas pesquisas. Mesmo quando a troca ou devolução de dinheiro são decididas, o processo é sempre mais penoso e burocrático do que nas nações centrais.

Como agradar a criança e ter a tranquilidade de não estar fazendo um mal? Alguém conhece alguma fábrica do inocente carrinho de rolimã? Ou algum borracheiro que ainda transforme a câmara de ar de pneus em bóias para praia e piscina? Se souberem, me avisem antes do Natal!

Luiz André Ferreira, "Le Monde Diplomatique", edição de 20 de dezembro de 2007.

De acordo com o texto, podemos deduzir que:

  1. a escolha do brinquedo para uma criança envolve cuidados que vão além da ansiedade em agradá-la.
  2. tornaram-se comuns preocupações exageradas com relação aos brinquedos produzidos hoje - é desnecessário que um brinquedo tenha data de validade.
  3. os processos de troca de brinquedos defeituosos são mais rápidos no Brasil do que em países da Europa e América do Norte.
  4. os antigos carrinhos de rolimã são preferíveis aos brinquedos modernos, pois embora sejam menos seguros, são mais baratos.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa A está correta porque o autor mostra que escolher um brinquedo ultrapassa a simples vontade de agradar a criança.

Apesar do apelo comercial, o texto destaca questões de segurança e saúde: brinquedos com peças soltas, ímãs, contaminação por mercúrio e até data de validade, riscos que exigem atenção dos responsáveis.

O autor chama a atenção para a importância da faixa etária indicada nas embalagens e para verificar a responsabilidade socioambiental do fabricante, pontos que interferem diretamente na escolha.

Em suma, a mensagem central é que a decisão deve considerar qualidade, segurança e práticas do fabricante, não apenas a ansiedade de agradar a criança.
"Muitas vezes não damos atenção aos avisos, nas embalagens, sobre a faixa etária à qual o produto é adequado."

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