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Questão FC552777

DEIXA O ALFREDO FALAR! A arte brasileira da conversa não é de fácil aprendizado. Como toda arte, exige antes de mais nada uma verdadeira vocação. E essa vocação se aprimora ao long

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

IBAM · 2021

DEIXA O ALFREDO FALAR!

 

A arte brasileira da conversa não é de fácil aprendizado. Como toda arte, exige antes de mais nada uma verdadeira vocação. E essa vocação se aprimora ao longo do caminho que vai da inocência à experiência. Como em toda arte.

 

Distinga-se: quando falo em conversa, não estou me referindo à lábia, à astúcia, à solércia do brasileiro no passar a bicaria e vender o seu peixe. Falo precisamente no bate-papo, erigido numa das mais requintadas instituições nacionais.

 

Mas por que arte brasileira? Os outros povos acaso não batem papo? A própria expressão, brasileiríssima, corresponde em inglês exatamente ao verbo “to chat.” Até os ingleses, meu Deus, os ingleses têm também o seu papo: um deles, na mesa do bar, olha para fora e diz que vai chover; meia hora depois outro diz que não vai chover; meia hora depois o terceiro se retira dizendo que não gosta de discussão. A falta de graça desta velha anedota não está em ser velha, mas na finalidade útil que fez murchar o papo. Este não deve ter finalidade alguma, senão a de matar o tempo da melhor maneira possível. É coisa de latino em geral e de brasileiro em particular: fazer da conversa não um meio, mas um fim em si mesmo. Se não me engano, essa é a distância que separa a ciência da arte.

 

No papo bem batido, a discussão não passa de uma motivação, sem intuito de convencer ninguém, nem de provar que se tem razão. Os que nela se envolvem devem estar sempre prontos a reconhecer, no íntimo, que poderiam muito bem passar a defender o ponto-de-vista oposto, desde que os que O defendem fizessem o mesmo. Os temas devem ser de uma apaixonante gratuidade, a ponto de permitir que, no desenrolar da conversa, de súbito ninguém mais saiba o que se está discutindo. Mesmo nas eternas discussões sobre mulher, religião ou futebol, para que se constituam em bate-papo, longas digressões hão de ser admitidas, desde que pertinentes.

 

Compilado e adaptado. Crônica de Fernando Sabino.

No primeiro parágrafo, caso se desejasse evitar o uso de um clichê, a expressão “antes de mais nada”poderia ser substituída por:

  1. ao contrário.
  2. de início.
  3. em resumo.
  4. de maneira análoga.
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Gabarito

B

Comentário do professor

"Antes de mais nada" é uma locução adverbial que indica prioridade temporal ou de importância e, nesse sentido, coincide com "de início".

No trecho, a expressão introduz o requisito inicial exigido pela arte da conversa: a vocação. Ao substituir por "de início", mantém‑se o sentido e ganha‑se concisão: exige de início uma verdadeira vocação.

Gramaticalmente, ambas funcionam como adjunto adverbial de tempo/ordem; sintaticamente a substituição é direta e não altera a concordância nem a fluidez do período.

Estilisticamente, "de início" evita o lugar‑comum sem perder a ênfase no caráter inicial do requisito, sendo, portanto, escolha adequada para evitar o clichê.

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