Questão FC558841
A caminho do brejo A sociedade dá de ombros, vencida pela inércia Cora Rónai Um país não vai para o brejo de um momento para o outro , como se viesse andando na estradinha, qual va
Morfologia
CEV UECE · 2018
A caminho do brejo
A sociedade dá de ombros, vencida pela inércia
Cora Rónai
Um país não vai para o brejo de um momento para o outro , como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.
(...)
Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.
Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.
Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.
Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.
Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado. Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais.
O Brasil caminha firme em direção ao brejo há muitas e muitas luas, mas um passo decisivo nessa direção foi dado quando Juscelino construiu Brasília, aquela farra para as empreiteiras, e quando parlamentares e funcionários públicos em geral ganharam privilégios inéditos em troca do “sacrifício” da mudança para lá.
Brasília criou um fosso entre a nomenclatura e os cidadãos comuns. A elite mora com a elite, convive com a elite e janta com a elite, sem vista para o Brasil. Os tempos épicos do faroeste acabaram há décadas, mas há os privilégios que foram mantidos, ampliados e replicados pelos estados. De todas as heranças malditas que nos deixaram, essa é a pior de todas.
(...)
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/acaminho-
do-brejo-20606929#ixzz5H47dDVl5.
Acesso em 31/05/2018. Adaptado.
Na frase “De todas as heranças malditas que nos deixaram, essa é a pior de todas”, para retratar expressivamente sua opinião em relação às heranças deixadas, a colunista se vale do adjetivo destacado no grau
- superlativo relativo.
- comparativo de superioridade.
- superlativo absoluto sintético.
- superlativo absoluto analítico.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Resposta: superlativo relativo.
Na oração “De todas as heranças malditas que nos deixaram, essa é a pior de todas”, o adjetivo pior qualifica algo em relação aos demais itens do conjunto, indicando que apresenta o grau máximo de má qualidade entre eles. Isso caracteriza o superlativo relativo, pois há comparação explícita com outros elementos.
Trata‑se de forma irregular do adjetivo ruim, que substituiria a construção analítica *mais ruim*. Assim como melhor para bom e maior para grande, pior expressa o superlativo relativo (equivalente a *o mais ruim de*).
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