Questão FC558897
TEXTO II A casa que educa Escrevo para vocês, crianças! O Amyr Klink é um navegador. Navega num barco a vela. Vela é uma armadilha para pegar o vento. O vento tem força. Os barcos
Colocação Pronominal
CEV UECE · 2023
TEXTO II
A casa que educa
Escrevo para vocês, crianças! O Amyr Klink é um navegador. Navega num barco a vela. Vela é uma armadilha para pegar o vento. O vento tem força. Os barcos a vela navegam movidos pela força do vento. O vento vem, bate nas velas e empurra o barco. Mas o que fazer quando o navegador quer ir para o sul e o vento sopra para o norte? Peça a um professor para lhe explicar isto. Antes das velas era preciso remar para o barco navegar. Dava muita canseira. Mas aí um dos nossos antepassados descobriu que o vento faria o serviço dos remos e o homem poderia fazer outras coisas…
Toda a nossa história passada, desde os tempos das cavernas, é a história dos homens aprendendo a fazer a natureza fazer o trabalho por eles. Os moinhos de vento, os moinhos de água, o arco e a flecha, as alavancas, os monjolos, o fogo…
O Amyr Klink disse que as crianças aprendem “construindo” uma casa. Concordo. Para aprender uma coisa é preciso fazê-la. As crianças da ilha Faroe aprendiam o que precisavam saber para viver construindo uma casa! Mas não será muito difícil construir uma casa? É difícil. Mas há um truque: a gente pode “imaginar” a casa que a gente quer construir. Tudo o que a gente faz começa na imaginação: um quadro, um avião. Santos Dumont imaginou o 14-Bis antes de construí-lo. Uma viagem, uma técnica cirúrgica, um foguete, uma música, um livro… – tudo começa na imaginação.
Quando vou fazer um papagaio, a primeira coisa é imaginá-lo na minha cabeça: o seu tipo (há papagaios do tamanho de uma casa!), as suas cores, as ferramentas de que vou precisar e os materiais que vou usar: tesoura, canivete, serra, linha, cola, papel… O mesmo vale para uma casa. A primeira coisa é imaginar a casa, como se estivesse pronta. O Oscar Niemeyer, que planejou os edifícios fantásticos de Brasília, a primeira coisa que faz é “desenhar” no papel o edifício que ele vê com os olhos da imaginação.
Imagine a casa que você gostaria de construir. Terá um ou dois andares? As telhas serão vermelhas? E as paredes? De que cor serão? Terá uma chaminé para um fogão de lenha ou uma lareira? Terá um jardim na frente? Para que lado estará virada? Na sua cidade, qual é a direção do sul? E do oeste? Onde nasce o sol? Onde se põe? Mas o sol se põe? Esses são os pontos cardeais. É importante saber onde estão os pontos cardeais por causa da luz do sol. Aí é preciso desenhar essa casa no papel, para que os pedreiros e carpinteiros saibam como a imaginei. O desenho torna a imaginação visível. Quem faz esse desenho é o arquiteto. Aí será preciso fazer uma lista dos materiais que você terá de usar para construir sua casa. Começando com tijolo, cimento, areia, e sem se esquecer dos pregos. Não se esqueça do dinheiro, sem o qual não se compra nada. Seu pai e sua mãe terão prazer em ajudá-lo.
ALVES, Rubem. A casa que educa. In: Educação. 2011.
Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/2021/10/12/rubem-alves criancas-almyr/. Acesso em: 27 fev. 2023.
Considerando a classificação da colocação pronominal no trecho “Santos Dumont imaginou o 14-Bis antes de construí-lo”. (linhas 98-99), é correto afirmar que se utiliza o pronome em posição
- enclítica para estabelecer adequadamente a coesão referencial.
- proclítica por se tratar de uma oração reduzida de infinitivo.
- enclítica por se tratar de uma oração reduzida de gerúndio.
- proclítica para estabelecer adequadamente a coesão referencial.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Enclítica. O segmento construí-lo apresenta o pronome lo posposto ao verbo (forma ligada por hífen), caracterizando a ênclise: o pronome oblíquo átono aparece depois do verbo.
Gramaticalmente, esse lo exerce a função de objeto direto, recuperando o referente já introduzido no período, isto é, o 14‑Bis. Assim, a colocação pronominal garante a ligação entre as orações, mantendo a continuidade do sentido.
Em termos de coesão referencial, a escolha da ênclise é apropriada porque torna explícita e imediata a referência ao elemento anterior, sem ambiguidade, estabelecendo uma transição fluida entre a ação de imaginar e a ação de construir.
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