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Questão FC558931

TEXTO II A casa que educa Escrevo para vocês, crianças! O Amyr Klink é um navegador. Navega num barco a vela. Vela é uma armadilha para pegar o vento. O vento tem força. Os barcos

Sintaxe

CEV UECE · 2023

TEXTO II

A casa que educa

 

Escrevo para vocês, crianças! O Amyr Klink é um navegador. Navega num barco a vela. Vela é uma armadilha para pegar o vento. O vento tem força. Os barcos a vela navegam movidos pela força do vento. O vento vem, bate nas velas e empurra o barco. Mas o que fazer quando o navegador quer ir para o sul e o vento sopra para o norte? Peça a um professor para lhe explicar isto. Antes das velas era preciso remar para o barco navegar. Dava muita canseira. Mas aí um dos nossos antepassados descobriu que o vento faria o serviço dos remos e o homem poderia fazer outras coisas…

 

Toda a nossa história passada, desde os tempos das cavernas, é a história dos homens aprendendo a fazer a natureza fazer o trabalho por eles. Os moinhos de vento, os moinhos de água, o arco e a flecha, as alavancas, os monjolos, o fogo…

 

O Amyr Klink disse que as crianças aprendem “construindo” uma casa. Concordo. Para aprender uma coisa é preciso fazê-la. As crianças da ilha Faroe aprendiam o que precisavam saber para viver construindo uma casa! Mas não será muito difícil construir uma casa? É difícil. Mas há um truque: a gente pode “imaginar” a casa que a gente quer construir. Tudo o que a gente faz começa na imaginação: um quadro, um avião. Santos Dumont imaginou o 14-Bis antes de construí-lo. Uma viagem, uma técnica cirúrgica, um foguete, uma música, um livro… – tudo começa na imaginação.

 

Quando vou fazer um papagaio, a primeira coisa é imaginá-lo na minha cabeça: o seu tipo (há papagaios do tamanho de uma casa!), as suas cores, as ferramentas de que vou precisar e os materiais que vou usar: tesoura, canivete, serra, linha, cola, papel… O mesmo vale para uma casa. A primeira coisa é imaginar a casa, como se estivesse pronta. O Oscar Niemeyer, que planejou os edifícios fantásticos de Brasília, a primeira coisa que faz é “desenhar” no papel o edifício que ele vê com os olhos da imaginação.

 

Imagine a casa que você gostaria de construir. Terá um ou dois andares? As telhas serão vermelhas? E as paredes? De que cor serão? Terá uma chaminé para um fogão de lenha ou uma lareira? Terá um jardim na frente? Para que lado estará virada? Na sua cidade, qual é a direção do sul? E do oeste? Onde nasce o sol? Onde se põe? Mas o sol se põe? Esses são os pontos cardeais. É importante saber onde estão os pontos cardeais por causa da luz do sol. Aí é preciso desenhar essa casa no papel, para que os pedreiros e carpinteiros saibam como a imaginei. O desenho torna a imaginação visível. Quem faz esse desenho é o arquiteto. Aí será preciso fazer uma lista dos materiais que você terá de usar para construir sua casa. Começando com tijolo, cimento, areia, e sem se esquecer dos pregos. Não se esqueça do dinheiro, sem o qual não se compra nada. Seu pai e sua mãe terão prazer em ajudá-lo.

 

ALVES, Rubem. A casa que educa. In: Educação. 2011.

Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/2021/10/12/rubem-alves criancas-almyr/. Acesso em: 27 fev. 2023.

 

“Mas aí um dos nossos antepassados descobriu que o vento faria o serviço dos remos e o homem poderia fazer outras coisas […]” Assinale a opção que apresenta a correta classificação do período e o efeito de sentido decorrente dessa organização.

  1. Período composto por coordenação, com orações que, interdependentes, suscitam a ideia de uma construção múltipla e coletiva.
  2. Período composto por subordinação, com orações que, interdependentes, contribuem para a construção da explicação sobre um fato.
  3. Período composto por subordinação, com orações independentes, que, no contexto, suscitam a ideia de exaustão e cansaço.
  4. Período composto por coordenação, com orações que, independentes entre si, representam a ideia de repetição, causada pela ausência de planejamento.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Período composto por subordinação: temos uma oração principal ("um dos nossos antepassados descobriu") seguida de uma oração subordinada introduzida por "que", ou seja, uma oração subordinada substantiva completiva que funciona como complemento do verbo "descobriu".

Dentro dessa subordinada aparecem duas ideias ligadas por "e": "o vento faria o serviço dos remos" e "o homem poderia fazer outras coisas". Essas proposições internas estão coordenadas entre si, mas permanecem dependentes da oração principal, porque explicam o conteúdo da descoberta.

O efeito de sentido decorre dessa estrutura: as orações, interdependentes, articulam causa e consequência, construindo uma explicação completa sobre o fato apresentado na oração principal. Portanto, a subordinação permite expor o conteúdo explicativo da descoberta.

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