Questão FC558986
Qual a saída?
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
CEV UECE · 2018
A questão baseia no texto apresentado abaixo.
Reduzir tragédia do trânsito deveria ser projeto do Brasil, diz especialista
A redução das mortes no trânsito do Brasil – que teve mais de 38 mil casos em 2015 – deve ser assunto prioritário de Estado, acima de partidos ou mandatos políticos.
“O Brasil tem problemas, ok. Mas poucos problemas custam 38 mil mortes ao ano. Creio que reduzir essa tragédia seja um projeto de país. Não um projeto de direita ou de esquerda”, diz Pere Navarro, especialista espanhol em segurança de trânsito.
À frente do Departamento Geral de Trânsito da Espanha entre 2004 e 2012, o engenheiro comandou ações que contribuíram para uma queda drástica das mortes em acidentes de trânsito do país. (...)
Ainda assim, o país se preocupa agora com um novo perigo: as distrações pelo uso de celular.
“No ano passado, pela primeira vez, as distrações foram a primeira causa dos acidentes com mortes, passando na frente da velocidade. Nos últimos seis anos, dobraram os acidentes por distração, incentivados em grande parte pelo uso excessivo e inadequado do celular enquanto se dirige”, diz.
No início do mês, Navarro esteve no Brasil para participar do Fórum Arteris de Segurança, promovido por uma concessionária de estradas de origem espanhola.
Folha - Como se explica o caso de sucesso da Espanha? É possível replicá-lo no Brasil?
Pere Navarro Olivella - Claro. Na Espanha, um fato importante a destacar é que, em oito anos, uma mesma equipe tomou conta das políticas de segurança viária. A estabilidade é importante para a segurança.
Em segundo lugar, colocamos as vítimas e suas famílias no centro da política de segurança viária. Eram elas que tinham toda a credibilidade para falar do assunto, de convencer e trabalhar para que ninguém mais passe pelo que elas passaram.
Em terceiro lugar, os dados. É muito importante ter e compartilhá-los com todos os cidadãos para que estejam conscientes da magnitude da catástrofe do trânsito.
E em quarto, a fiscalização. Pois, a segurança viária é educação, formação de condutores, informação, mas sobretudo controle para dar a sensação de punição, para se fazer com que se cumpram as leis.
A Espanha passou por essa transformação também pelo reforço da fiscalização?
Antes das novas políticas de segurança, já era proibido beber e dirigir, era obrigatório o uso de cinto de segurança e respeitar os limites de velocidade, mas não se cumpriam as leis. Com a nova política, as leis eram as mesmas, mas o cidadão passou a cumpri-las. Essa foi provavelmente a maior conquista, a maior mudança que se produziu no país.
Em 2004, estávamos com o dobro da média europeia de mortes no trânsito. Naquele momento, percebemos que, se outros países tinham taxas melhores, nós também poderíamos melhorar.
Atualmente, somos o quarto país europeu com menores índices de morte no trânsito, atrás da Suécia, Holanda e Reino Unido.
O Brasil atualmente vive uma crise política e econômica. De que maneira isso pode ser um empecilho para políticas de segurança viária?
(...) Sei que o país tem muitos problemas, todos temos. Mas poucos custam 38 mil mortes ao ano. Creio que mudar esse quadro trágico seja um projeto de país. É um projeto de todos, e é possível fazê-lo.
A Espanha se notabilizou por campanhas publicitárias fortes pela redução de acidentes e mortes. Qual o peso dessa ferramenta para a população?
As campanhas melhoram a situação, mas se não são tomadas outras iniciativas, em seis meses retornamos ao ponto de partida. A campanha tem sentido quando junto dela se toma uma medida de controle, de fiscalização. Serve para explicar a medida, para convencer os cidadãos de uma medida importante. Não nos enganemos, é mais importante a fiscalização do que as campanhas publicitárias.
Quais são os desafios mais recentes da Espanha no tema?
No ano passado, pela primeira vez, as distrações foram a primeira causa dos acidentes com mortes, na frente da velocidade. Nos últimos seis anos, dobraram na Espanha os acidentes por distração, incentivados em grande parte pelo uso excessivo e inadequado do celular enquanto se dirige.
Há um estudo que diz que mandar mensagem enquanto se dirige equivale a dirigir sob o efeito de quatro cervejas.
Outros estudos mostram que 50% dos condutores, com até 50 anos, reconhecem que leem e escrevem mensagens enquanto dirigem.
Qual a saída?
Não há solução milagrosa. No momento, o que está sendo feito são campanhas publicitárias de conscientização que ensinem as pessoas a mudar essa conduta.
Mas depois disso, outra ferramenta, e que a Espanha ainda está buscando de maneira incipiente, é criar um sistema tecnológico que flagre o motorista que manuseie o celular enquanto dirige. Esse problema do smartphone é generalizado, de todo o mundo, tendência mundial.
Acessível em www1.folha.uol.com.br/.../1919048reduzir-tragedia-do-transito-deveria-ser-projetodo...16 de set de 2017. Acesso em 18/01/2018. Adaptação.
Na frase “Ainda assim, o país se preocupa agora com um novo perigo: as distrações pelo uso de celular”, o emprego dos dois pontos, após a palavra “perigo”, se justifica por
- indicar o início de uma enumeração.
- antecipar uma citação.
- separar orações.
- introduzir um esclarecimento.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O emprego dos dois pontos se justifica porque eles servem para introduzir um esclarecimento sobre o que foi anunciado antes.
Na frase, a oração “Ainda assim, o país se preocupa agora com um novo perigo” é completa e abre terreno para especificar qual é esse perigo. Após os dois pontos vem a expressão “as distrações pelo uso de celular”, que explica exatamente a que o autor se refere.
Portanto, os dois pontos cumprem a função clássica de apresentar uma explicação/especificação do antecedente, estabelecendo relação de causa/clareza entre as partes da sentença.
Do ponto de vista sintático, tinha-se uma oração independente seguida de uma expressão explicativa, situação adequada ao uso dos dois pontos.
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