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Questão FC558998

Foram 13 anos de chamego e encanto. Dormimos muitas noites juntos, a patinha dela em cima do meu ombro. Tinha medo de vento. O que fazer contra o vento?

Concordância (Verbal e Nominal)

CEV UECE · 2025

Mila

Era pouco maior do que minha mão: por isso eu precisei das duas para segurá-la, 13 anos atrás. E, como eu não tinha muito jeito, encostei-a ao peito para que ela não caísse, simples apoio nessa primeira vez. Gostei desse calor e acredito que ela também. Dias depois, quando abriu os olhinhos, olhou-me fundamente: escolheu-me para dono. Pior: me aceitou.

 

Foram 13 anos de chamego e encanto. Dormimos muitas noites juntos, a patinha dela em cima do meu ombro. Tinha medo de vento. O que fazer contra o vento?

 

Amá-la , foi a resposta e também acredito que ela entendeu isso. Formamos, ela e eu, uma dupla dinâmica contra as ciladas que se armam. E também contra aqueles que não aceitam os que se amam. Quando meu pai morreu, ela se chegou, solidária, encostou sua cabeça em meus joelhos, não exigiu a minha festa, não queria disputar espaço, ser maior do que a minha tristeza.

 

Tendo-a ao meu lado, eu perdi o medo do mundo e do vento. E ela teve uma ninhada de nove filhotes, escolhi uma de suas filhinhas e nossa dupla ficou mais dupla porque passamos a ser três. E passeávamos pela Lagoa, com a idade ela adquiriu “fumos fidalgos”, como o Dom Casmurro, de Machado de Assis. Era uma lady, uma rainha de Sabá numa liteira inundada de sol e transportada por súditos imaginários.

 

No sábado, olhando-me nos olhos, com seus olhinhos cor de mel, bonita como nunca, mais que amada de todas, deixou que eu a beijasse chorando. Talvez ela tenha compreendido. Bem maior do que minha mão, bem maior do que o meu peito, levei-a até o fim.

 

Eu me considerava um profissional decente. Até semana passada, houvesse o que houvesse, procurava cumprir o dever dentro de minhas limitações. Não foi possível chegar ao gabinete onde, quietinha, deitada a meus pés, esperava que eu acabasse a crônica para ficar com ela.

 

Até o último momento, olhou para mim, me escolhendo e me aceitando. Levei-a, em meus braços, apoiada em meu peito. Apertei-a com força, sabendo que ela seria maior do que a saudade.

 

CONY, Carlos Heitor. Mila. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (org.). As Cem Melhores Crônicas Brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 271–272.

 

A concordância verbal está devidamente realizada em:

  1. Todos ali queriam terem momentos felizes com os amigos.
  2. Muitas pessoas haviam abraçado a causa animal.
  3. Houveram momentos em que ele quis desistir da profissão.
  4. Fazem dois meses que ele foi transferido de setor.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Muitas pessoas haviam abraçado a causa animal. A construção está correta porque o sujeito é plural ("Muitas pessoas") e o verbo composto usa o auxiliar haver flexionado na 3.ª pessoa do plural ("haviam").

Trata‑se de um tempo composto: haver + particípio ("abraçado"). Quando haver funciona como auxiliar, ele concorda com o sujeito em número e pessoa, portanto o plural é exigido.

É importante diferenciar o uso impessoal de haver. Se tivesse o sentido de "existir", o verbo seria impessoal e permaneceria no singular: "Havia muitas pessoas". Aqui não é esse caso, por isso "haviam abraçado" está adequado.

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