FC ConcursosFC Concursos

Questão FC559009

A quem a maternidade atrapalha?

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

CEV UECE · 2024

Texto

 

A quem a maternidade atrapalha?

 

Ações afirmativas, inclusive na ciência, são fundamentais para corrigir desigualdades

 

Leticia de Oliveira - Professora da Universidade Federal Fluminense; Parent in Science

Fernanda Stanisçuaski - Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Parent in Science

Patrícia Valim - Professora do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA);

Rede Brasileira de Mulheres Cientistas

 

Nesta semana, o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão, afirmou em um evento que o movimento Parent In Science "atrapalha muito". O professor declarou que o movimento atrapalha porque, supostamente, teria sugerido que as bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq sejam avaliadas de maneira separada para homens e mulheres. Em nota divulgada nas nossas redes sociais, esclarecemos que nunca fizemos tal sugestão ao CNPq.

 

O Parent in Science, uma organização internacionalmente reconhecida e premiada, tem como objetivo principal destacar e abordar os desafios enfrentados por mães na comunidade acadêmica.

 

Relembrando a polêmica recente envolvendo o CNPq, é curioso e emblemático que Galvão tenha usado a mesma palavra que o parecerista do conselho usou para responder ao pedido da bolsa de produtividade da pesquisadora Maria Carlotto, da Universidade Federal do ABC, dizendo que suas gestações "atrapalharam" sua carreira científica.

 

Mas a quem a maternidade atrapalha, de fato? O movimento Parent in Science tem mostrado com dados que a parentalidade impacta a carreira especialmente de mulheres. Entretanto, o que de fato atrapalha é a falta de políticas públicas que apoiem as mães na academia e fora dela. Precisamos de creches, salas de acolhimento e amamentação, divisão igualitária nos cuidados com crianças e idosos e tarefas domésticas. E, não menos importante, urge diminuir a discriminação e o preconceito contra mães nos ambientes acadêmicos.

 

O professor fala ainda que as mulheres não precisam de ações "paternalistas", uma vez que estas impediriam o reconhecimento de seus méritos como cientistas. As ações paternalistas as quais o professor se refere são ações afirmativas, importantíssimas para corrigir desigualdades históricas e sociais. Às mulheres são atribuídas as principais funções do cuidado com crianças e idosos. Esta é uma questão central que gera a necessidade de políticas de compensação, tais como editais específicos para cientistas mulheres. Portanto, embora não tenhamos sugerido formalmente ao CNPq, entendemos que linhas específicas de financiamento para mulheres e grupos sub-representados são essenciais.

 

O próprio CNPq tem editais importantes para mulheres negras, por exemplo. Esse edital seria paternalista? As mulheres negras teriam menos mérito? Sabemos que não, muito pelo contrário. É uma reparação mínima referente a uma injustiça histórica. No caso das bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq, é preciso que um grupo dedicado de pessoas avalie as desigualdades de gênero, raça, áreas do conhecimento e distribuição geográfica para propor soluções. Não há solução fácil. Mas há a necessidade inquestionável de mudança.

 

Reiteramos nosso desejo de contribuir para a construção de um ambiente acadêmico mais inclusivo, justo e diverso. Um ambiente que não atrapalhe mais a maternidade de ninguém.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/02/

 

A expressão destacada no trecho: “é curioso e emblemático que Galvão tenha usado a mesma palavra que o parecerista do conselho usou” refere-se ao elemento do texto

  1. atrapalha.
  2. produtividade.
  3. discriminação.
  4. avalie.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

A

Comentário do professor

“Mesma palavra” refere‑se ao termo usado tanto por Ricardo Galvão quanto pelo parecerista: a forma do verbo atrapalha (e sua flexão atrapalharam), que aparece ao qualificar o movimento Parent in Science e, separadamente, as gestações da pesquisadora.

Trata‑se de uma repetição lexical deliberada pelo texto para mostrar paralelismo entre as duas falas. Ao identificar que ambos empregaram a mesma palavra, o autor sugere uma continuidade de sentido e de atitude , a palavra funciona como indicador de um mesmo juízo depreciativo dirigido à maternidade e às mães na ciência.

O efeito retórico é de reforço e ironia: a repetição evidencia o padrão de desvalorização e serve como argumento para afirmar a necessidade de políticas que corrijam essa desigualdade.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo