Questão FC559040
TEXTO 6 O Poeta da Roça Sou fio das mata, cantô da mão grosa Trabaio na roça, de inverno e de estio A minha chupana é tapada de barro Só fumo cigarro de paia de mio Sou poeta das b
Linguagem
CEV UECE · 2020
TEXTO 6
O Poeta da Roça
Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestrê, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola
Cantando, pachola, à percura de amô
Não tenho sabença, pois nunca estudei
Apenas eu seio o meu nome assiná
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
E o fio do pobre não pode estudá
Meu verso rastero, singelo e sem graça
Não entra na praça, no rico salão
Meu verso só entra no campo da roça e
[dos eito
E às vezes, recordando feliz mocidade
Canto uma sodade que mora em meu peito.
[...]
Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.
E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade, Cantando as verdade das coisa do Norte.
Adaptada de ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá: Filosofia de um trovador nordestino. 2. Ed. Petrópolis: Vozes, 1978.
As palavras “papé” (linha 164), “percura” (linha 167) e “sodade” (linha 177) extraídas do poema revelam uma variedade linguística do português brasileiro específica de um grupo social identificada em falantes
- do sexo masculino, com idade avançada, que moram em metrópoles.
- não escolarizados de dialeto usado por moradores de regiões interioranas do país.
- estrangeiros que não dominam certas expressões da língua portuguesa.
- escolarizados do sexo masculino que moram no interior do nosso país.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Alternativa correta: a indicação aponta para falantes não escolarizados que usam um dialeto regional típico de áreas interioranas. As formas papé, percura e sodade representam escolhas fonéticas e lexicais próprias de uma variedade oral que não segue a norma culta escrita.
Essas grafias reproduzem a fala rural: redução ou alteração de vogais, pronúncia simplificada e representação direta da oralidade. Na perspectiva sociolinguística, trata‑se de uma variedade associada a um grupo social e geográfico específico, não de erros isolados.
No poema, o recurso valoriza a identidade do eu lírico e confere autenticidade regional, revelando tanto a origem interiorana quanto a pouca escolarização formal desses falantes.
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