Questão FC559041
Onde estás?
Linguagem
CEV UECE · 2019
TEXTO 2
Diáspora
Acalmou a tormenta
Pereceram
Os que a estes mares ontem se arriscaram
E vivem os que por um amor tremeram
E dos céus os destinos esperaram
Atravessamos o mar Egeu
O barco cheio de fariseus
Como os cubanos, sírios, ciganos
Como romanos sem Coliseu
Atravessamos pro outro lado
No Rio Vermelho do mar sagrado
Os Center shoppings superlotados
De retirantes refugiados
You, where are you?
Where are you?
Where are you?
Onde está
Meu irmão
Sem Irmã
O meu filho sem pai
Minha mãe
Sem avó
Dando a mão pra ninguém
Sem lugar
Pra ficar
Os meninos sem paz
Onde estás
Meu senhor
Onde estás?
Onde estás?
Deus
Ó Deus onde estás
Que não respondes
Em que mundo
Em qu’estrela
Tu t’escondes
Embuçado nos céus
Há dois mil anos te mandei meu grito
Que embalde desde então corre o infinito
Onde estás, Senhor Deus
[...]
ANTUNES, Arnaldo; BROWN, Carlinhos; MONTE, Marisa.
Diáspora. In: Tribalistas. Rio de Janeiro: Phonomotor
Records Universal Music, 2017. Disponível em:
https://www.letras.mus.br/tribalistas/diaspora/.
Acesso em: 08 de set. de 2019.
Os versos “You, where are you?/ Where are you?”, cuja tradução literal para o português é Você, onde está você? / Onde está você?, encontram-se em língua inglesa porque
- há um caso de estrangeirismo, realizado através de palavras vindas de outro idioma e incorporadas à língua portuguesa.
- aponta para o engajamento de todos na questão, atualizando-a para um idioma considerado universal.
- marca uma opção para os ouvintes da canção em outros países que não adotam a língua portuguesa.
- atrai um público maior e mais jovem para as discussões acerca de temáticas contemporâneas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Inglês funciona no trecho como recurso de ampliação do alcance do poema: ao empregar uma expressão em língua internacional, o enunciador dirige-se além do público local, tornando o clamor compreensível para diferentes povos.
Esse recurso de code-switching transforma o apelo íntimo em um apelo coletivo, atualizando a cena para um contexto global e convidando à participação de leitores e ouvintes de diversas origens.
Assim, a inserção do vocativo em inglês não é casualidade estética, mas estratégia discursiva que reforça o engajamento de todos, usando um idioma considerado universal para universalizar a interrogação e ampliar sua ressonância.
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