Questão FC559050
TEXTO 2 Ausência Por muito tempo achei que a ausência é [falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto
Linguagem
CEV UECE · 2019
TEXTO 2
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é [falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada [nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações
alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 2003.
Drummond, no seu poema Ausência, chega a uma conclusão quando diz “A ausência é um estar em mim”. Ao revelar essa constatação, a figura de linguagem que o autor utiliza é
- a ironia, porque manifesta o contrário de seus sentimentos.
- o anacoluto, porque representa uma mudança na estrutura do verso.
- o paradoxo, pois representa uma ideia com sentidos opostos.
- a metáfora, pois compara palavras com significados diferentes.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Certo
Comentário do professor
Paradoxo é a figura indicada porque articula duas ideias aparentemente opostas que, juntas, revelam uma verdade profunda. Em “A ausência é um estar em mim” o poeta põe lado a lado ausência (noção de falta) e estar (noção de presença), criando uma sentença que contraria a lógica comum mas expressa uma experiência íntima.
Ao transformar falta em presença interior, o verso provoca reflexão sobre como a ausência pode habitar e constituir o sujeito. Essa justaposição contraditória e significativa é a marca do paradoxo.
O efeito retórico, portanto, não é mera figura de linguagem ornamental, mas a construção de um sentido novo que só surge ao unir termos contrários.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em