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Questão FC559052

TEXTO 2 Mulher proletária Jorge de Lima Mulher proletária , única fábrica que o operário tem, (fabrica filhos) tu na tua superprodução de máquina humana forneces anjos para o Senho

Linguagem

CEV UECE · 2018

TEXTO 2

 

Mulher proletária

 

Jorge de Lima

 

Mulher proletária , única fábrica que o operário tem, (fabrica filhos) tu na tua superprodução de máquina humana forneces anjos para o Senhor Jesus, forneces braços para o senhor burguês. Mulher proletária, o operário, teu proprietário há de ver, há de ver: a tua produção, a tua superprodução, ao contrário das máquinas burguesas, salvar o teu proprietário.

 

LIMA Jorge de. Obra Completa (org. Afrânio Coutinho). Rio de Janeiro: Aguilar, 1958.

 

Analisando o verso do poema “forneces braços para o senhor burguês”, a figura de linguagem que aí se destaca é

  1. catacrese, uma vez que, como não há um termo específico para o poeta expressar, de forma adequada, a ideia de “fornecer filhos”, ele se utiliza da expressão “fornecer braços”, lógica semelhante ao que se costuma usar em termos como “braços da cadeira”.
  2. metonímia, tendo em vista que o termo “braços” mantém com o termo “filhos” uma relação de contiguidade da parte pelo todo para o poeta destacar que o que mulher proletária fabrica é só uma parte do seu rebento, os “braços”, utilizados para proveito da atividade capitalista, e não “filhos”, na sua completude como seres humanos, para estabelecer com estes uma relação afetiva.
  3. hipérbole, já que o verso quer enfatizar a ideia de exagero de alguém fornecer inúmeros braços para o trabalho da indústria mercantil.
  4. prosopopeia, pois o poeta está personificando a máquina como se fosse uma mulher produtora de filhos.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Metonímia é a figura presente no verso "forneces braços para o senhor burguês". O poeta emprega o termo braços por contiguidade, ou seja, usa uma parte do ser humano para representar o todo (pars pro toto): os filhos são reduzidos à sua capacidade de trabalho.

Ao substituir "filhos" por "braços", o enunciador enfatiza a dimensão instrumental desses seres na lógica capitalista, destacando o uso e a exploração do trabalho em vez da identidade e do afeto que integram a criança como pessoa.

Assim, a metonímia funciona como recurso crítico, tornando visível a desumanização e a apropriação do corpo trabalhador pelo poder econômico.

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