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Questão FC559080

MAS O QUE É ECONOMIA DO CUIDADO?

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEV UECE · 2024

Textos

 

TEXTO I

 

A quem a maternidade atrapalha?

 

Ações afirmativas, inclusive na ciência, são fundamentais para corrigir desigualdades

 

Leticia de Oliveira - Professora da Universidade Federal Fluminense; Parent in Science

Fernanda Stanisçuaski - Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Parent in Science

Patrícia Valim - Professora do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA);

Rede Brasileira de Mulheres Cientistas

 

Nesta semana, o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão, afirmou em um evento que o movimento Parent In Science "atrapalha muito". O professor declarou que o movimento atrapalha porque, supostamente, teria sugerido que as bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq sejam avaliadas de maneira separada para homens e mulheres. Em nota divulgada nas nossas redes sociais, esclarecemos que nunca fizemos tal sugestão ao CNPq.

 

O Parent in Science, uma organização internacionalmente reconhecida e premiada, tem como objetivo principal destacar e abordar os desafios enfrentados por mães na comunidade acadêmica.

 

Relembrando a polêmica recente envolvendo o CNPq, é curioso e emblemático que Galvão tenha usado a mesma palavra que o parecerista do conselho usou para responder ao pedido da bolsa de produtividade da pesquisadora Maria Carlotto, da Universidade Federal do ABC, dizendo que suas gestações "atrapalharam" sua carreira científica.

 

Mas a quem a maternidade atrapalha, de fato? O movimento Parent in Science tem mostrado com dados que a parentalidade impacta a carreira especialmente de mulheres. Entretanto, o que de fato atrapalha é a falta de políticas públicas que apoiem as mães na academia e fora dela. Precisamos de creches, salas de acolhimento e amamentação, divisão igualitária nos cuidados com crianças e idosos e tarefas domésticas. E, não menos importante, urge diminuir a discriminação e o preconceito contra mães nos ambientes acadêmicos.

 

O professor fala ainda que as mulheres não precisam de ações "paternalistas", uma vez que estas impediriam o reconhecimento de seus méritos como cientistas. As ações paternalistas as quais o professor se refere são ações afirmativas, importantíssimas para corrigir desigualdades históricas e sociais. Às mulheres são atribuídas as principais funções do cuidado com crianças e idosos. Esta é uma questão central que gera a necessidade de políticas de compensação, tais como editais específicos para cientistas mulheres. Portanto, embora não tenhamos sugerido formalmente ao CNPq, entendemos que linhas específicas de financiamento para mulheres e grupos sub-representados são essenciais.

 

O próprio CNPq tem editais importantes para mulheres negras, por exemplo. Esse edital seria paternalista? As mulheres negras teriam menos mérito? Sabemos que não, muito pelo contrário. É uma reparação mínima referente a uma injustiça histórica. No caso das bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq, é preciso que um grupo dedicado de pessoas avalie as desigualdades de gênero, raça, áreas do conhecimento e distribuição geográfica para propor soluções. Não há solução fácil. Mas há a necessidade inquestionável de mudança.

 

Reiteramos nosso desejo de contribuir para a construção de um ambiente acadêmico mais inclusivo, justo e diverso. Um ambiente que não atrapalhe mais a maternidade de ninguém.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/02/

 

TEXTO II

 

MAS O QUE É ECONOMIA DO CUIDADO?

 

Trata-se do conjunto de ações relacionadas aos cuidados para a manutenção da vida de outras pessoas, podendo ser remunerado ou não. No âmbito doméstico, geralmente sem pagamento, está conectado com os afazeres da casa e aos cuidados com filhos e familiares. O relatório “Care Works and care jobs for the future of decent work” (Trabalhos de cuidado e empregos de cuidado para o futuro do trabalho decente, em tradução livre), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 2018, define o trabalho de cuidado como “atividades e relações envolvidas na satisfação das necessidades físicas, psicológicas e emocionais de adultos e crianças, idosos e jovens, debilitados e saudáveis”.

 

Em linhas gerais, são as atividades necessárias para promover uma sociedade produtiva: gestar, alimentar, criar, limpar, educar…. É o que faz o mundo rodar. Imagine uma realidade em que ninguém investisse tempo nessas tarefas diárias essenciais? Com certeza o prejuízo e a desorganização seriam grandes.

 

Disponível em: https://quindim.com.br/blog/economia-do-cuidado/

 

O texto II relaciona-se à discussão estabelecida no texto I, pelo fato de ambos

  1. apresentarem a natureza das atividades desempenhadas pelas mulheres.
  2. definirem conceitos propostos por documentos de organismos relacionados a pesquisas.
  3. discutirem a relevância do trabalho não remunerado circunscrito ao ambiente doméstico.
  4. analisarem a necessidade de as mulheres exercerem funções acadêmicas em detrimento das atividades de gestar e alimentar, dentre outras.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Texto II define a economia do cuidado como o conjunto de atividades necessárias à manutenção da vida: gestar, alimentar, criar, limpar e educar. Ao explicitar essa natureza, o texto descreve o caráter rotineiro, muitas vezes não remunerado e essencial desses trabalhos.


Texto I retoma essa mesma natureza ao discutir a maternidade e seus efeitos na carreira acadêmica feminina, apresentando essas tarefas de cuidado como fator que impacta o progresso profissional das mulheres e que exige políticas públicas compensatórias. Assim, ambos os textos convergem ao evidenciar quais são as atividades desempenhadas majoritariamente por mulheres e por que elas têm relevância social e implicações de justiça e igualdade.

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