Questão FC559121
TEXTO 6 O Poeta da Roça Sou fio das mata, cantô da mão grosa Trabaio na roça, de inverno e de estioB A minha chupana é tapada de barro Só fumo cigarro de paia de mio Sou poeta das
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEV UECE · 2020
TEXTO 6
O Poeta da Roça
Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estioB
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestrê, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola
Cantando, pachola, à percura de amô
Não tenho sabença, pois nunca estudei
Apenas eu seio o meu nome assiná
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
E o fio do pobre não pode estudá
Meu verso rastero, singelo e sem graça
Não entra na praça, no rico salão
Meu verso só entra no campo da roça e
[dos eito
E às vezes, recordando feliz mocidade
Canto uma sodade que mora em meu peito.
[...]
Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.
E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade, Cantando as verdade das coisa do Norte.
Adaptada de ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá: Filosofia de um trovador nordestino. 2. Ed. Petrópolis: Vozes, 1978.
A poesia de Patativa do Assaré, ao primeiro contato, demonstra uma preocupação em construir uma identidade sertaneja. No texto 6, esta característica é observável, de forma mais evidente, em
- “Meu verso rastero, singelo e sem graça/Não entra na praça, no rico salão”. (linhas 172-173)
- “Sou fio das mata, cantô da mão grosa/ Trabaio na roça, de inverno e de estio”. (linhas 160-161)
- “Não tenho sabença, pois nunca estudei Apenas eu seio o meu nome assiná”. (linhas 168-169)
- “E assim, sem cobiça dos cofre luzente, /Eu vivo contente e feliz com a sorte”. (linhas 183-184)
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Gabarito
B
Comentário do professor
“Sou fio das mata, cantô da mão grosa / Trabaio na roça, de inverno e de estio.” Essas linhas revelam, de forma direta, a construção da identidade sertaneja. O vocabulário e a grafia dialetal (fio, cantô, trabaio) reproduzem a oralidade regional e marcam pertencimento cultural ao sertão.
Ao afirmar ser filho da mata e trabalhador rural, o eu lírico apresenta sua condição social e ocupacional: roça e mão grosa indicam labuta manual e raiz camponesa. A referência às estações (inverno e estio) situa a vida no ritmo da natureza, reforçando laço com o ambiente sertanejo.
Portanto, essas linhas sintetizam identidade sertaneja por meio de traços linguísticos, sociais e espaciais, constituindo o poeta como voz autêntica do campo.
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