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Questão FC559136

TEXTO 2 Em Busca de Novas Armas Contra o Aedes Aegypt O infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha já foi diagnosticado com dengue duas vezes. Nenhuma surpresa. O coordenador de Vigi

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEV UECE · 2019

TEXTO 2

 

Em Busca de Novas Armas Contra o Aedes Aegypt

 

O infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha já foi diagnosticado com dengue duas vezes. Nenhuma surpresa. O coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor da Medicina da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul vive no Brasil, país castigado pela doença nas últimas três décadas e por outras também transmitidas pelo Aedes aegypt. Essas epidemias, explica o pesquisador nesta entrevista, devem continuar décadas adiante: “Ainda utilizamos o modelo de controle do mosquito que foi exitoso há 110 anos com Oswaldo Cruz”. Nem as águas de março que acabaram de fechar o verão são promessa de uma trégua. “Temos observado que, em algumas localidades do Brasil, o padrão de ocorrência da dengue tem se mantido estável mesmo fora do verão. Isso aponta o óbvio: a população e as autoridades sanitárias têm de atuar durante todo o ano, e não somente no verão. Infelizmente, isso não ocorre em um padrão homogêneo”, ensina Cunha, que comemora, no entanto, abordagens promissoras para o controle do mosquito e vê uma melhora da vigilância nas últimas décadas.

 

Ciência Hoje: O Brasil sofreu recentemente com grandes surtos de dengue, zika e febre amarela. Devemos esperar novos surtos em breve? O que dizem os dados epidemiológicos? Rivaldo Venâncio da Cunha: As doenças transmitidas pelo Aedes continuarão ocorrendo nos próximos 20 ou 30 anos. Por que continuarão ocorrendo? Porque utilizamos o modelo de controle do mosquito que foi exitoso há 110 anos com Oswaldo Cruz e, depois, com Clementino Fraga e outros. Se não houver uma nova abordagem para controle do vetor, continuaremos tendo epidemias, porque, infelizmente, as questões estruturais da sociedade permanecem praticamente inalteradas. Essa bárbara segregação social que o Brasil tem, esse apartheid social, que é fruto de séculos, criou condições para haver comunidades extremamente vulneráveis, onde a coleta do lixo, quando existe, é feita de forma inadequada, e nas quais o fornecimento de água é irregular. São lugares onde o Estado inexiste. Há comunidades em que policiais não podem entrar a qualquer hora, imagine um agente de controle de vetores. Essa complexidade urbana não aparenta que será modificada nos próximos anos.

 

CUNHA, Rivaldo Venâncio da. Em Busca de Novas Armas Contra o Aedes Aegypt. Ciência Hoje, São Paulo, n.353, abr. 2019. Entrevista concedida a Valquíria Daher. Disponível em: http://cienciahoje.org.br/artigo/em-busca-de-novasarmas- contra-o-aedes-aegypt/. Acessado em 27 de abril de 2019.

 

A entrevista marca-se como uma das formas de obtenção de fontes para notícias e reportagens a partir dos dados e argumentos expostos pelo(a) entrevistado(a). Em relação ao texto 2, é correto afirmar que a tese expressa pelo infectologista sobre os motivos da permanência das doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypt corresponde

  1. ao êxito do modelo de controle do mosquito que se encontra com 110 anos de utilização.
  2. à atuação da população e das autoridades sanitárias que ocorre durante todo o ano e não somente no verão, quando o mosquito está em evidência.
  3. à inexistência de uma nova abordagem para controle do mosquito que considere a complexidade urbana e seus problemas.
  4. à inoperância do Estado em muitos lugares, onde os policiais, que são agentes de saúde, não podem entrar a qualquer hora.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa correta sintetiza a tese do infectologista: a permanência das doenças transmitidas pelo Aedes aegypt é explicada pela inexistência de uma nova abordagem de controle do vetor que incorpore as realidades das cidades.

Cunha aponta que se mantém um modelo antigo, eficiente há mais de um século em outro contexto, mas inadequado diante da complexidade urbana. Fatores como segregação social, coleta de lixo deficiente, fornecimento irregular de água e áreas onde o Estado é ausente criam ambientes propícios ao mosquito e dificultam intervenções.

Assim, a tese corresponde exatamente à ideia de que, sem políticas e estratégias adaptadas a essas condições estruturais, as epidemias tenderão a persistir nas próximas décadas.

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