Questão FC559146
TEXTO 5 Grito Negro Eu sou carvão! E tu arrancas-me brutalmente do chão e me fazes tua mina, patrão. Eu sou carvão! E tu acendes-me, patrão, para te servir eternamente como força m
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEV UECE · 2019
TEXTO 5
Grito Negro
Eu sou carvão! E tu arrancas-me brutalmente do chão e me fazes tua mina, patrão. Eu sou carvão! E tu acendes-me, patrão, para te servir eternamente como força motriz mas eternamente não, patrão. Eu sou carvão e tenho que arder sim; queimar tudo com a força da minha combustão. Eu sou carvão; tenho que arder na exploração arder até às cinzas da maldição arder vivo como alcatrão, meu irmão, até não ser mais a tua mina, patrão. Eu sou carvão. Tenho que arder Queimar tudo com o fogo da minha combustão. Sim! Eu sou o teu carvão, patrão.
CRAVEIRINHA, José João. Karingana Ua Karingana. (Era uma vez). Lisboa: Edições 70, 1982.
José João Craveirinha foi o primeiro autor africano que ganhou o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa. Sobre o poema Grito Negro, é INCORRETO afirmar que
- nos versos “Eu sou carvão!” , “Eu sou carvão;” , “Eu sou carvão.”, a pontuação demonstra, respectivamente, expressividade, causa e desumanização.
- os versos “Tenho que arder / Queimar tudo com o fogo da minha combustão.” apresentam o momento de indignação, fazendo o eu lírico erguer-se contra o opressor.
- o poema apresenta o negro conformado à condição imposta e aceitando trabalhar e servir aos seus senhores.
- o poema discute questões raciais, quando a cor do carvão remete à cor da pele negra e o jogo metafórico apresenta a relação entre as características do carvão e a ação de queimar.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A afirmação de que o poema apresenta o negro conformado é incorreta porque a voz poética não aceita a condição imposta; ela denuncia e reage contra a exploração.
No texto, a repetição "Eu sou carvão" e o tratamento direto ao patrão articulam uma crítica contundente. Verbos como "arder" e "queimar" expressam não submissão, mas uma energia de combate: arder "até não ser mais a tua mina" revela desejo de ruptura e transformação da própria condição.
Há também marca de solidariedade em "meu irmão", o que reforça a dimensão coletiva da resistência. Em suma, o poema constrói uma voz de revolta e negação do conformismo, não de aceitação passiva.
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