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Questão FC559228

TEXTO 1 Com licença poética Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeiraB. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhad

Tipologia e Gênero Textual

CEV UECE · 2020

TEXTO 1

 

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeiraB.

Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir.

Não tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos , dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu avô.

Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu souB.

 

PRADO, Adélia Prado. Com Licença Poética. In: PRADO, Adélia. Adélia Prado: Poesia reunida. 6. ed. São Paulo: Siciliano, 1996. p. 11.

A intertextualidade é um dos fatores responsáveis pela construção de sentidos de um texto. Ela é percebida quando um texto faz remissão a outro(s) já produzido(s) e que faz(em) parte da memória dos leitores, por ser(em) reconhecido(s) na literatura.

Considerando o que se afirma acima a respeito da intertextualidade, atente para os seguintes versos do texto 1.

I. “Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira”. (linhas 01-03)

II. “Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir”. (linhas 06-07)

III. “Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou”. (linhas 17-18)

 

No que concerne à intertextualidade, é correto afirmar que ela ocorre em

  1. I e II apenas.
  2. I e III apenas.
  3. II e III apenas.
  4. I, II e III.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Intertextualidade é a presença, em um texto, de elementos que remetem a outros textos ou saberes reconhecíveis pelo leitor.

Em I aparece a imagem do anjo que anuncia um destino, com trombeta e proclamação. Essa cena remete imediatamente ao campo religioso e bíblico da anunciação e da profecia, presente na tradição literária e religiosa; trata-se de uma retomada de um imaginário preexistente, logo de caráter intertextual.

Em III há enunciados de tom proverbial e de senso comum, como a ideia de maldição sobre o homem e a definição de mulher como “desdobrável”. Esses trechos evocam ditos populares e representações culturais sobre gênero, configurando intertextualidade por meio da apropriação de fórmulas e estereótipos presentes na memória coletiva e na literatura.

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