Questão FC559234
TEXTO 2 Em Busca de Novas Armas Contra o Aedes Aegypt O infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha já foi diagnosticado com dengue duas vezes. Nenhuma surpresa. O coordenador de Vigi
Tipologia e Gênero Textual
CEV UECE · 2019
TEXTO 2
Em Busca de Novas Armas Contra o Aedes Aegypt
O infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha já foi diagnosticado com dengue duas vezes. Nenhuma surpresa. O coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor da Medicina da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul vive no Brasil, país castigado pela doença nas últimas três décadas e por outras também transmitidas pelo Aedes aegypt. Essas epidemias, explica o pesquisador nesta entrevista, devem continuar décadas adiante: “Ainda utilizamos o modelo de controle do mosquito que foi exitoso há 110 anos com Oswaldo Cruz”. Nem as águas de março que acabaram de fechar o verão são promessa de uma tréguaI). “Temos observado que, em algumas localidades do Brasil, o padrão de ocorrência da dengue tem se mantido estável mesmo fora do verão. Isso aponta o óbvio: a população e as autoridades sanitárias têm de atuar durante todo o ano, e não somente no verão. Infelizmente, isso não ocorre em um padrão homogêneo”, ensina Cunha, que comemora, no entanto, abordagens promissoras para o controle do mosquito e vê uma melhora da vigilância nas últimas décadas.
Ciência Hoje: O Brasil sofreu recentemente com grandes surtos de dengue, zika e febre amarela. Devemos esperar novos surtos em breve? O que dizem os dados epidemiológicos? Rivaldo Venâncio da Cunha: As doenças transmitidas pelo Aedes continuarão ocorrendo nos próximos 20 ou 30 anos. Por que continuarão ocorrendo? Porque utilizamos o modelo de controle do mosquito que foi exitoso há 110 anos com Oswaldo Cruz e, depois, com Clementino Fraga e outros. Se não houver uma nova abordagem para controle do vetor, continuaremos tendo epidemias, porque, infelizmente, as questões estruturais da sociedade permanecem praticamente inalteradas. Essa bárbara segregação social que o Brasil tem, esse apartheid social, que é fruto de séculos, criou condições para haver comunidades extremamente vulneráveisII), onde a coleta do lixo, quando existe, é feita de forma inadequada, e nas quais o fornecimento de água é irregular. São lugares onde o Estado inexiste. Há comunidades em que policiais não podem entrar a qualquer hora, imagine um agente de controle de vetores. Essa complexidade urbana não aparenta que será modificada nos próximos anos.III)
CUNHA, Rivaldo Venâncio da. Em Busca de Novas Armas Contra o Aedes Aegypt. Ciência Hoje, São Paulo, n.353, abr. 2019. Entrevista concedida a Valquíria Daher. Disponível em: http://cienciahoje.org.br/artigo/em-busca-de-novasarmas- contra-o-aedes-aegypt/. Acessado em 27 de abril de 2019.
A intertextualidade é um dos fatores responsáveis pela construção de sentido. Ela é percebida quando o leitor recupera, no texto em tela, informações de outros textos que se encontram explícitas ou inferidas. Sobre essa questão, considere as seguintes afirmativas:
I. “Nem as águas de março que acabaram de fechar o verão são promessa de uma trégua” .
II. “Essa bárbara segregação social que o Brasil tem, esse apartheid social [...] criou condições para haver comunidades extremamente vulneráveis [...]” .
III. “Essa complexidade urbana não aparenta que será modificada nos próximos anos”.
É correto afirmar que há intertextualidade em
- I e II apenas.
- I e III apenas.
- II e III apenas.
- I, II e III.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Intertextualidade ocorre quando um texto recupera ou remete a outro, explícita ou implicitamente, enriquecendo sentidos e mobilizando conhecimentos prévios do leitor.
Na opção I, a frase remete claramente à canção Águas de Março de Tom Jobim. Essa alusão cultural traz uma camada adicional de sentido sobre a continuidade das epidemias, usando uma imagem conhecida para enfatizar a ideia de ausência de trégua.
Na opção II, o uso do termo apartheid importa um conceito histórico e político já carregado de significados sobre segregação e exclusão. Essa escolha lexical estabelece diálogo com outros discursos e amplia a crítica social presente no texto, caracterizando intertextualidade.
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