Questão FC559280
TEXTO Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena, os livros me deram casa e comida. Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado
Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
CEV UECE · 2023
TEXTO
Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena, os livros me deram casa e comida.
Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro.
De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras.
Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça. Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntima a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação.
Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava.
Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que no meu jeito de ver as coisas é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava.
Mas, como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra em algum lugar uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar.
BOJUNGA, Lygia. Livro: um encontro com Lygia Bojunga. 2. Ed. Rio de Janeiro: Agir, 1998.
Os morfemas nas línguas exercem várias funções na palavra, pois podem constituir sua base essencial, ampliar e modificar seu sentido ou sua classe gramatical, flexioná-la e colocá-la em um contexto sintático, ou mesmo ligar termos em uma sentença. Os usuários devem saber utilizar habilmente o conhecimento, mas, para isso, é necessário dominar algumas particularidades da morfologia e das habilidades (meta)linguísticas relativas à morfologia. Assim, para relacionar a articulação entre os saberes da morfologia e da sintaxe, é primordial
- isolar os elementos fonográficos e trabalhar, na sala de aula, os aspectos relacionados ao vocabulário de uma língua.
- reconhecer a composição dos elementos constituintes das palavras e vocábulos, suas funções dentro das orações e papel semântico no contexto.
- buscar a função na oração sugerida pela análise sintática e estabelecer os caminhos para a análise.
- proceder para uma análise textual produtiva, partindo para uma análise crítica de conteúdos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Reconhecer a composição dos elementos constituintes das palavras é passo inicial e indispensável para vincular morfologia e sintaxe. Esse reconhecimento permite identificar como se formam vocábulos e quais morfemas atuam neles.
É preciso atentar para radical, afixos e desinências, pois eles definem a estrutura interna da palavra e orientam sua distribuição sintática.
Ao saber a composição, torna-se possível prever a classe gramatical de um termo e, por consequência, sua função sintática em orações, como sujeito, predicado ou complemento.
Além disso, compreender processos derivacionais e flexionais esclarece o papel semântico que cada vocábulo desempenha no contexto, favorecendo interpretação e produção textual.
Essa abordagem sustenta a competência metalinguística necessária ao ensino e à análise linguística.
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